Marta era uma garota nada convencional. Gordinha, ela nunca usava uma roupa de banho e sempre tinha vergonha de peças que mostravam alguma parte de seu excesso de pele. Era tímida e vivia com um complexo de que alguém sempre falaria mal de sua aparência. E isso era verdade. As pessoas costumam ser más com quem é fora dos padrões do aceitável. E isso a deixava insanamente triste.
Essa garota tinha um irmão mais velho, chamado Carlos. Esse rapaz vivia um momento muito triste de sua vida, estava com câncer, em estado terminal. Ela já o vira se retorcer de dores, passar horas acrocado ao lado do vaso sanitário, cuspindo sangue e sabe-se lá mais o que, vira-o perder todo seu cabelo, aquilo que ela sempre mais achou bonito nele, e o vira ser internado a força em um quarto de hospital, onde passara seus últimos meses.
Marta simplesmente não conseguia entender como essas coisas poderiam acontecer. Ela não entendia como Deus era capaz de simplesmente decidir que uma pessoa adoecece, de como Ele permitia que uma pessoa tivesse dificuldades em emagrecer, de como aquele Alguém poderia permitir tanta desgraça nesse mundo.
Estava cansada, e ao mesmo tempo envergonhada. Sim, além da vergonha de seu corpo, tinha vergonha de achar que sofria, enquanto seu irmão, quem verdadeiramente teria motivos para odiar o mundo, vivia sorrindo e cantando.
Certa vez ficou encarregada de cuidar de seu irmão no hospital. Ele não andava muito bem, mas mesmo assim não deixava de se esforçar para sorrir pra ela toda vez que o observava. Inquieta, questionou como poderia ele estar tão calmo assim, perante tanta desgraça. Como ficava contente com um Deus que o castigava de tal maneira. Serene, Carlos abriu-se a falar:
- Marta, quem somos nós pra tentar adivinhar a mente Dele? Nós nos julgamos desenvolvidos, superiores, mas na verdade ainda temos muito caminho pela frente até chegar ao momento de compreendermos algo dessa coisa que chamamos de vida. Eu acredito que temos motivos para passar por esses desafios a que somos impostos. Não existem pessoas que acreditam que vivemos outras vidas? Então, esse não é o fim, maninha. De que adiantaria eu reclamar, sofrer, gritar que esse mundo é injusto, que não aguento de mais dores, de como eu queria estar em outro lugar e saudável? Não, acredito que isso me foi imposto como uma prova. Um teste de que sei manter minha fé, minha paciência, meu caráter diante de qualquer situação.
- Mas veja, você mesma tem suas provações. Ou você acha que conviver no mundo normal é fácil? Que nunca nos são apresentados desafios? Você acha que é assim, simplesmente porque Deus quis que fosse? Pare melhor e pense , Marta. Existem muitas coisas que desconhecemos. Estamos em busca dessas respostas, mas nos é muito limitado ainda.
- Todos nós temos em nosso peito a resposta de nossos desafios. Quando fazemos alguma coisa que achamos certo, não sentimos algo como uma luz brilhando forte lá no nosso coração? Não sentimos uma certeza como nunca temos? Não nos sentimos, acima de tudo, bem? É assim que me sinto em suportar isso de maneira consciente. Reclamar não é uma solução, é um agravante. Além disso não sou o único a sofrer nesse mundo, até quem eu penso que nunca sofre, em seu íntimo, tem algo de que poderia se queixar, mas não o faz, suporta. É por isso, maninha, que não perco minha fé e que tenho certeza que não sou digno de julgar os planos que a vida fez para mim. Sabe-se lá o que está reservado.
Marta ficou sem palavras. Não esperava tal resposta. Começou a pensar em todas as vezes que deixou de aproveitar alguma coisa por vergonha. Vergonha do que diriam, se ririam ou não dela. Na realidade era ela mesma quem se aprisionava. Ela sentia vergonha dela mesma. Será que se ela fosse magra não faria piada de quem era acima do peso? Mas o que fazia para mudar isso? Ficar se escondendo e deixando de viver por ser obesa? Seu irmão tinha um problema bem pior que o dela, e mesmo assim não se queixava, suportava.
De repente sentiu aquele calor irradiando de seu peito, aquela certeza que Carlos havia falado. Ainda assim sentia medo. Mas a luz que imaginava saindo de seu peito era mais forte do que qualquer medo, era superior a qualquer outra certeza que tinha. Ela tinha que suportar, não reclamar.
Seu irmão partiu alguns meses depois. Mas a tristeza que deixou não foi de uma injustiça. Com sua coragem e sua paciência conseguiu mudar todos a sua volta, inclusive ela. Agora ela não tinha mais medo de tomar sol, de nadar com seus amigos. Mas também não se deixou acomodar. Estava buscando a saúde, acima de tudo. Perdera peso, sim. Estava se exercitando e obtendo uma aparência mais "aceitável". Aceitável apenas para quem se baseava em estereótipos, pois para Marta a vida havia passado para muito mais além de relacionamentos, compras e status. Agora a vida tinha outro sentido, o sentido da aprendizagem, o sentido do bem-estar, do respeito e da preservação. Carlos jamais soube, mas com um simples gesto conseguiu mudar todo seu ambiente.
É incrível, pensava ela, como pensamos ser apenas mais um na multidão. Mas se esse um se esforça, tem a capacidade de influenciar toda a multidão que o cerca. Cada um afeta o seu próximo, seja para o bem ou para o mal. Seu irmão havia influenciado muita gente para o bem, e assim ela queria ser. Marta nunca teve uma luz tão forte irradiando de seu peito, como quando pensava no bem que poderia fazer. E para isso, bastou tomar a iniciativa.
domingo, 3 de abril de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
Janela
Lucas estava mais uma tarde em seu trabalho. Fazia um lindo dia do lado de fora de seu escritório. De sua janela conseguia ver as pessoas indo em direção à praia. Carros e mais carros passavam, alguns vermelhos, outros pretos, alguns cinzas e outros de diversas cores, cada um com uma pessoa feliz, seu som alto, rapazes sem camisa, garotas preparando os apetrechos para o banho de sol, alguns até passavam com as pranchas de surf presas ao capô do carro.
Ele estava entediado, cansado. Não tinha férias há dois anos, devido a mudanças de trabalho, aulas na faculdade, e diversos outros eventos. Estava irritado em ter que emitir mais relatórios, mais boletins de desempenho, mais projeções, fazer isso, fazer aquilo e ver a vida passar do lado de fora de sua janela. Sentia saudades de sentir o vento bagunçando seus cabelos, de ouvir o canto dos pássaros, de sentir a calmaria que era apenas andar na calçada em um dia tranqüilo de vida. Faria qualquer loucura para ter um pouco mais daquilo.
Foi quando a oportunidade surgiu. Seu chefe pediu para que ele fosse estacionar o carro dele em outro lugar. Lucas não pensou duas vezes. Pegou as chaves e rumou em direção ao carro. Seu corpo já sentia a adrenalina aumentando e seu coração já batia mais acelerado.
Entrando no carro e acelerando rumo a rodovia que ali próxima existia, o jovem pôs-se a dirigir com toda vontade. Abriu todas as janelas e sentiu o vento percorrer todo seu corpo. Com uma das mãos arrancou a gravata que tanto o sufocava e pôs o óculos-de-sol que estava no banco do passageiro.
Que sensação, que paz estava sentindo. Como era gostoso aquela brisa, ver o mar ao longe brilhando com o reflexo da luz daquele sol, daquele dia quente de verão.
Dirigiu com todo seu ânimo em sentido à praia. Seu celular tocou, ele nem se deu ao trabalho de ver quem era, apenas desligou e aumentou o volume da rádio. Um sentimento de liberdade percorria suas veias, e ele não queria saber de perdê-lo.
Estacionou à beira da praia, lentamente tirou seus sapatos, sua camisa e suas meias. Dobrando sua calça até a altura do joelho, caminhou em direção à areia, parando apenas para comprar uma cerveja no caminho. Sentou-se e sua audição foi inundada pelo barulho das ondas a quebrar na orla.
Respirou fundo, uma respiração pura, uma respiração de paz. Tomou um gole de sua cerveja gelada, que desceu como água naquele dia de calor. A brisa pôs-se a varrer seus cabelos novamente. Dessa vez não apenas via as pessoas felizes correndo, brincando, rindo... Dessa vez ele estava entre eles.
A sensação que ele estava tendo não era apenas pura liberdade, não era apenas um sentimento livre de culpa. O que ele vinha sentindo era a VIDA! A vida de um jeito que não se era possível sentir em frente a um computador ou assistindo à televisão.
Não sabia o que aconteceria quando voltasse para o escritório, isso resolveria depois. Sabia apenas que a vida fora feita para os seres humanos valorizarem e que de hoje em diante ele faria isso. Mas no momento queria aproveitar o agora, observar a natureza e sentir-se vivo, como não se sentia há muito tempo.
domingo, 20 de março de 2011
unfinished
Run! Do it fast! Faster and faster! Hurry up! I need this for yesterday! C'mon! Life is short! I don't have patience! Now!...
I want to scream, I do want to run, but far away from here. I do want to go fast, but to the moment of life i'll have silence, a little bit of peace. We don't need to hurry, we don't need to go faster and faster, we just need to enjoy life as it appears to us.
Earth is getting addicted to a pace of life that is not common for our kind. everything must be done now, everybody wants answers immediately, wants to get to their final destination the exact moment they think of it. People doesn't have patience anymore.
A very wise man once said "Patience is a virtue". A person who is patient is in peace with the world. Why not waiting some more minutes, why buying everything just right now, why can't we respect the limits, live just like our ancestors did, let the world take its time?
Doing everything faster doesn't let you appreciate the wind blowing off your hair, doesn't allow you to see for several minutes a cloud going its way far from the place you are, doesn't make you feel how everything is connected and designed brillantly.
Have you ever stopped some hours just watching the stars, and the moon? Doesn't it seem to you a waste of time looking at the stars? Well, I guess having small talks on the internet should be a better way to live.
I was thinking about mail. It's been so much time since I've last got a letter from someone. The anxiously about the arrival, your heart beating faster when you see the mailman bringing some stuff, the hope for being remembered... It doesn't work this way with my e-mail inbox.
I believe our bodies have their own will, and they do this to test us. If you turn you body used to something, you'd better be mind-prepared to fight against it. We're meant to be soul-ruled people, that's why we have our intelligence, our feelings.
Our body is always trying to control us, but we have to fight against it, for our own sake. Just question: does everything our body judges as good is really what it thinks about it?
I'm trying to take control of my wishes, to be a soul-ruled, instead of a body one. Unfortunately I'm one in a billion. But I'll take my pace, I'll try to change the world, I can do that.
I wonder how [...]
-to be continued another time-
terça-feira, 8 de março de 2011
Living High and righteously
I never used to think that the world were about "having", instead of "being". Since childhood, I only cared about my parents, my relatives, my dog, and never thought about the place i lived, the clothes i was wearing, the people i hang out, or the future.
Than puberty came and brought a whole new perspectives. This way of thinking imposed itself and made me create differences between poverty and richness, goodness and badness, friendship and enmity, acceptable and unacceptable, right and wrong.
Society has evoluted quickly in the last 50 years, but not morally talking. We're still transforming our thoughts, getting new perspectives and realizing new horizons.
For a short period of time, I let myself be taken by this mass way of life. Fortunately I woke up to reality, and it is way more beautiful than the rest of the world can imagine. To the hell misconceptions, prejudices, this bad destructive capitalistic way of living. I'm not a communist, thou.
I believe that human beings can live as brothers and sister, I think we're much more than just me, or you. We're souls evoluting on a place full of challenges and atonement. I believe that getting in touch with nature is way more important than having this or that apartment, this or that car. After all, we go to the beach because of it's beauty, the way it make us feel. We love summer 'cause it's the time we get peace, when we get together with our friends, when we travel around the world, get to know wonderfull places and have fun.
It is not correct destroying our envoironment as a matter of confort, because we want to live better.
Some friend of mine said that the world is dramatically changing, is passing through a period of transition and that who got prepared for this will be able to live a better life. The ones who insist on the same mistakes are going to suffer. I belive that, and I still believe one other thing she said: People are going after their origins.
First I got to think, than she made me realize I was already doing that. But I did that unconsciously, because something said in my mind that going after that was making me a better person, and it was right.
Our parents, grandparents and others lived in this world for more than 3.000 years without a bunch of the crap we "must have" today. I believe some inventions came to improve our life, but we're in a time that we must think of what is really important, what will bring us some learning and make us grow on this journey.
I started living, as my mentor Jason Mraz would call, high and righteously. I hope my friends, the ones who hasn't started yet, will take the same way. After all, life is really good. While you're reading this and complaining about the TV, or your internet connection, some people are complaining about the food they don't have, because the crops of their place are destinated to supply your needs.
So stop living as you only have this life, you know you don't. Stop judging other as you knew what they have gone trough, you'll never do. Stop thinking that you must think first of yourself, cause this will take you nowhere. Let's all join hands and face this walk as we're supposed to do, as brethren.
Than puberty came and brought a whole new perspectives. This way of thinking imposed itself and made me create differences between poverty and richness, goodness and badness, friendship and enmity, acceptable and unacceptable, right and wrong.
Society has evoluted quickly in the last 50 years, but not morally talking. We're still transforming our thoughts, getting new perspectives and realizing new horizons.
For a short period of time, I let myself be taken by this mass way of life. Fortunately I woke up to reality, and it is way more beautiful than the rest of the world can imagine. To the hell misconceptions, prejudices, this bad destructive capitalistic way of living. I'm not a communist, thou.
I believe that human beings can live as brothers and sister, I think we're much more than just me, or you. We're souls evoluting on a place full of challenges and atonement. I believe that getting in touch with nature is way more important than having this or that apartment, this or that car. After all, we go to the beach because of it's beauty, the way it make us feel. We love summer 'cause it's the time we get peace, when we get together with our friends, when we travel around the world, get to know wonderfull places and have fun.
It is not correct destroying our envoironment as a matter of confort, because we want to live better.
Some friend of mine said that the world is dramatically changing, is passing through a period of transition and that who got prepared for this will be able to live a better life. The ones who insist on the same mistakes are going to suffer. I belive that, and I still believe one other thing she said: People are going after their origins.
First I got to think, than she made me realize I was already doing that. But I did that unconsciously, because something said in my mind that going after that was making me a better person, and it was right.
Our parents, grandparents and others lived in this world for more than 3.000 years without a bunch of the crap we "must have" today. I believe some inventions came to improve our life, but we're in a time that we must think of what is really important, what will bring us some learning and make us grow on this journey.
I started living, as my mentor Jason Mraz would call, high and righteously. I hope my friends, the ones who hasn't started yet, will take the same way. After all, life is really good. While you're reading this and complaining about the TV, or your internet connection, some people are complaining about the food they don't have, because the crops of their place are destinated to supply your needs.
So stop living as you only have this life, you know you don't. Stop judging other as you knew what they have gone trough, you'll never do. Stop thinking that you must think first of yourself, cause this will take you nowhere. Let's all join hands and face this walk as we're supposed to do, as brethren.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
What hurts the most
O mundo está mudando, você consegue sentir? Pessoas sendo mortas, pessoas lutando pela sua liberdade, o Oriente médio sob o efeito de uma multidão enfurecida por seus direitos, grandes tragédias levando pessoas queridas aqui, no norte, no oriente, em todo lugar...
Nem tudo é mal, afinal. Grandes realizações estão acontecendo. Os seres humanos querem aproveitar mais a vida, querem viajar e conhecer o mundo, estão em busca de suas origens, formando novas empresas com potencial de mudar o mundo, transformando o país e o mundo em que vivemos, cada vez mais próximos.
Mas isso não apaga os fatos que vem acontecendo a todos. O mundo está mudando sim, e este mesmo mundo está dando seu recado.
Todos os dias somos bombardeados por desejos consumistas, por vontades mundanas, por gastar, poluir, até mesmo por relacionamentos frívolos, que mais prejudicam o próximo do que o bem que deveriam fazer. Podemos ir a pé até o mercado e vamos de carro. Podemos subir de escadas e vamos de elevador, por preguiça. Não devemos beber e dirigir, o fazemos. Não devemos passar dos limites, e os passamos. Não devemos trair, e traímos. Que espécie de seres somos nós, que nos julgamos a inteligência suprema.
Uma coisa se consegue notar assistindo a filmes antigos, e essa coisa é como os valores se degradaram com o tempo. Felizmente muitos seres estão acordando e corrigindo-se, mudando seu modo de ser porque agora entendem que não somos nós os donos disso tudo. Nosso mundo, nossa casa, nosso corpo e nossa vida nada mais são que presentes nos dados por alguém que um dia iremos conhecer.
Estamos aqui por algum motivo, cada um sabe no fundo de sua alma qual motivo é este. Só dois tipos de pessoas partem: aqueles que cumpriram com seu dever e aqueles que nada mais fizeram do que extrapolar os limites impostos.
Sou sinceramente feliz por dizer que conheço muitas pessoas que irão partir por cumprir seu dever, como aconteceu hoje a meus Tios. Mas também tenho o pesar de saber que verei muitas pessoas terem sua existência abreviada por fatalidades, que se você analisar foram concebidas por elas mesmas. Egoístas estes últimos o são, pois mal sabem eles quantas pessoas, além dele, dependem de sua existência. Você já imaginou como ficariam seus amigos e sua família caso você partisse?
O que digo aqui é que está na hora de despertarmos. Não estamos aqui de brincadeira. Os bons estão indo e sendo recompensados. Os egoístas estão indo também, mas o mundo está mudando e dificilmente eles retornarão. A mudança vem do coração de cada um, e só é efetiva quando a pessoa se empenha em realizá-la.
Você já contabilizou quantas perdas teve nos últimos tempos? Quantos amigos você perdeu em acidentes? Quantos parentes queridos se foram e deixaram muitas saudades? É meus amigos. A vida está clamando para que mudemos nossos hábitos. Mas isso, como já disse, só depende de nós. Por favor, clementemente te peço, pense nisso. Eu não quero te perder.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Reinvenção de um sonho
Ultimamente eu não tenho estado muito bem. Minha cabeça vem refletindo demais, e pensar muito não faz bem a ninguém. O problema é que como não viemos com um botão de desligar, não consigo fazer isso parar.
Muitas indagações vêm passando pela minha mente, muitas delas pondo em cheque o meu futuro. Muitos já sabem das minhas últimas escolhas, sobre o futuro que montei, sobre algumas habilidades que até então eu mesmo desconhecia. Fiquei muito feliz com tudo isso, e ainda estou, seriamente falando, contente com tudo isso.
Porém a lua-de-mel terminou e com ela aquele detalhe que eu achava tão bonito, no início, vem me irritando profundamente. O casamento parece não ter o futuro que eu queria. Mas como todos bem sabem, nada é como queremos que seja. Só que nesse caso, muito se tem a perder com tal acontecimento.
Tenho me dedicado de corpo e alma, trabalhado madrugada adentro, perdendo horas fazendo estudos, indo atrás de documentos e milhares de viagens de carro e ônibus. As decisões sempre partem de mim, as escolhas e opções sempre sou eu quem apresento, a alma disso tudo tem sido minha força de vontade. Porém aquela divisão favorável a mim não me é mais suficiente.
Muito tempo foi gasto com tudo isso, além de dinheiro. Mas com esse tempo outros valores e prioridades voltaram a florescer dentro de mim, alguns deles arrancados anteriormente por esta outra parte do “casamento”.
Talvez eu esteja cansado de levar todo o estresse nas costas, de tentar fazer a coisa dar certo, dividindo igualitariamente a carga e recebendo um trabalho mal feito. Não, um trabalho em grupo não funciona assim. Desde o início eu fui questionado sobre qual o papel da outra parte. Acontece que chegou uma hora que nem eu mais soube responder.
Um sonho vem crescendo dentro de mim. Uma vontade de voltar às origens que nunca havia sentido antes. De repente, aquela pequena propriedade rural próxima a cidade, com uma vida tranquila e MUITAS árvores ao redor vem chamando a atenção. Uma vida sem muitos luxos, com muito trabalho e muita satisfação me parece tão tentadora... Aquela velha máxima da outra parte “ganhar muito com pouco esforço” tem me parecido um tanto quanto errada, da mesma forma que me pareceu a primeira vez que a ouvi.
As famílias de meus pais sempre batalharam para conseguir aquilo que construíram até hoje. Assim são meus próprios pais. E assim eu serei. Há muito mais história e tradição em suas vidas do que muitos ouvirão falar. Descobri de onde vem minhas paixões e de onde surgiram minhas vocações. É o ciclo da vida, creio eu.
Acho que estou me preocupando demais, e minha moral sempre me disse para dar valor apenas às coisas que realmente merecem. Se algo que deveria ser bom está me prejudicando é porque tem algo de errado.
Ainda bem que erros são corrigíveis. Porém nosso caminho precisa ser construído da melhor maneira possível, e nisso estamos sozinhos. Não sei se vocês conseguiram entender o que quis dizer, nem é minha intenção. O que vale ressaltar, é que acho que o casamento acabou, o que significa que tudo continua como está, sem a parte que prejudica.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Ele novamente
Hoje eu encontrei um site muito legal, era de uma marca chamada "Life is good". Esse site, além de uns produtos a venda, possuía muito mais do que meros interesses comerciais. A página inicial era dedicada a histórias enviadas por pessoas que cultuavam esse estilo de vida, diversas delas contando casos, uns contos tristes, alguns felizes outros apenas palavras cheias de significado.
Uma dessas histórias era a respeito de um pai de família, já aos seus 60 anos, com uma esposa que o amava, filhos que encontraram seus caminhos, netos divertidos... Este homem um dia teve uma dor de cabeça e descobriu que carregava em si um tumor cerebral. Mas ele não desanimou, jamais havia deixado um empecilho na vida acabar com seu amor por ela. Então começaram 3 anos e meio, longos anos, de luta contra seu problema. Nesse meio tempo ele conheceu o lema "Life is good" e o usou como seu próprio lema de vida.
Finalmente, em um dia frio de novembro ele partiu, mas deixou a toda sua família a impressão de um batalhador, alguém que viveu intensamente e que nunca perdeu o amor pela existência mesmo em situações verdadeiramente aterradoras.
Comentando essa história com uma pessoa, ela me disse que a tinha achado triste. Foi então que começou uma mudança no meu dia. Aliás, que meu novo dia começou com boas vibrações.
Lembrei a ela que uma morte pode ser vista por dois ângulos. Um triste, o da perda, e outro feliz. Eu sempre tento ver por este outro lado.
Quem acompanhou meu blog, sabe que 2010 foi marcado por grandes perdas. Nesse ano dois grandes amigos se foram e deixaram suas marcas. Por mais que tenha sido difícil, eu tentei ver o lado positivo.
Não pude ir ao enterro de um deles, mas fui ao do outro, meu avô. Confesso que não é algo muito fácil ver meu noninho ali, deitado num caixão...
Logo eu que nunca havia perdido alguém próximo, perder duas pessoas assim uma após a outra. Foi um choque tremendo. Mas me serviu de grande exemplo.
Digo exemplo, porque me lembrei de todos os momentos bons que passei ao lado do meu querido avô, de tudo que aprendi com ele, de todas as risadas que compartilhamos... Parece que ainda hoje vou chegar na sua casa, entrar e vê-lo rindo ao assistir Chaves e Chapolin, na sala, com aquele sorriso alegre por me ver.
Algo que me emocionou muito foi ver que TODA sua cidade compareceu ao seu velório. Descobri ali que um homem planta coisas que nenhuma cirurgia fatal pode destruir. Nunca vi tantas pessoas tocadas pela partida de um homem simples que morava numa casa de madeira no interior do interior do interior.
Meu avô sempre procurou ser bom, começou como empregado e juntou moeda por moeda para comprar suas terras. Mas jamais esqueceu dos outros, sempre ajudou quem precisou e tocava a igrejinha de sua comunidade, mas claro que sempre seguida de seu joguinho de bocha com os amigos no centro comunitário do lado.
Até mesmo o padre se emocionou e fez um agradecimento mais que especial a este homem. E tudo isso me fez pensar em tantas coisas...
Eu ali conversando com minha amiga, meus pensamentos imersos e minhas lágrimas escorrendo. Talvez eu jamais consiga tocar a vida de tantas pessoas como ele fez. Talvez eu jamais faça tão bem quanto ele. Talvez eu jamais crie uma família tão maravilhosa quanto ele...
Sei que existem muitas coisas além de dinheiro, de ter esse ou aquele carro, uma casa ou apartamento desse ou daquele valor, mas eu creio que está mais do que na hora de começar a mudar se um dia eu quiser tocar a vida de tanta gente quanto o Seu Piero, como minha avó o chamava.
Uma coisa ele já mudou em mim. A forma como lido com as pessoas que aqui ainda estão. Hoje já não reclamo mais dos almoços em família, de ir passar o domingo na casa dos meus tios no interior e, principalmente, passo mais tempo com aqueles que eu sei que não tem tanto tempo, como eu, por vir.
A vida é boa. E é muito curta pra se desperdiçar com besteiras. Meu avô faleceu há quase um ano, mas ainda hoje me toca. Graças a ele eu revi algumas atitudes e mudei algumas decisões imutáveis.
Como você quer ser lembrado quando partir? Já se fez essa pergunta? Hoje pode ser o dia certo pra começar a mudar. Eu, pelo menos, comecei.
Agora me dêem licença, por favor, porque tenho algumas pessoas pra ir conversar...
Uma dessas histórias era a respeito de um pai de família, já aos seus 60 anos, com uma esposa que o amava, filhos que encontraram seus caminhos, netos divertidos... Este homem um dia teve uma dor de cabeça e descobriu que carregava em si um tumor cerebral. Mas ele não desanimou, jamais havia deixado um empecilho na vida acabar com seu amor por ela. Então começaram 3 anos e meio, longos anos, de luta contra seu problema. Nesse meio tempo ele conheceu o lema "Life is good" e o usou como seu próprio lema de vida.
Finalmente, em um dia frio de novembro ele partiu, mas deixou a toda sua família a impressão de um batalhador, alguém que viveu intensamente e que nunca perdeu o amor pela existência mesmo em situações verdadeiramente aterradoras.
Comentando essa história com uma pessoa, ela me disse que a tinha achado triste. Foi então que começou uma mudança no meu dia. Aliás, que meu novo dia começou com boas vibrações.
Lembrei a ela que uma morte pode ser vista por dois ângulos. Um triste, o da perda, e outro feliz. Eu sempre tento ver por este outro lado.
Quem acompanhou meu blog, sabe que 2010 foi marcado por grandes perdas. Nesse ano dois grandes amigos se foram e deixaram suas marcas. Por mais que tenha sido difícil, eu tentei ver o lado positivo.
Não pude ir ao enterro de um deles, mas fui ao do outro, meu avô. Confesso que não é algo muito fácil ver meu noninho ali, deitado num caixão...
Logo eu que nunca havia perdido alguém próximo, perder duas pessoas assim uma após a outra. Foi um choque tremendo. Mas me serviu de grande exemplo.
Digo exemplo, porque me lembrei de todos os momentos bons que passei ao lado do meu querido avô, de tudo que aprendi com ele, de todas as risadas que compartilhamos... Parece que ainda hoje vou chegar na sua casa, entrar e vê-lo rindo ao assistir Chaves e Chapolin, na sala, com aquele sorriso alegre por me ver.
Algo que me emocionou muito foi ver que TODA sua cidade compareceu ao seu velório. Descobri ali que um homem planta coisas que nenhuma cirurgia fatal pode destruir. Nunca vi tantas pessoas tocadas pela partida de um homem simples que morava numa casa de madeira no interior do interior do interior.
Meu avô sempre procurou ser bom, começou como empregado e juntou moeda por moeda para comprar suas terras. Mas jamais esqueceu dos outros, sempre ajudou quem precisou e tocava a igrejinha de sua comunidade, mas claro que sempre seguida de seu joguinho de bocha com os amigos no centro comunitário do lado.
Até mesmo o padre se emocionou e fez um agradecimento mais que especial a este homem. E tudo isso me fez pensar em tantas coisas...
Eu ali conversando com minha amiga, meus pensamentos imersos e minhas lágrimas escorrendo. Talvez eu jamais consiga tocar a vida de tantas pessoas como ele fez. Talvez eu jamais faça tão bem quanto ele. Talvez eu jamais crie uma família tão maravilhosa quanto ele...
Sei que existem muitas coisas além de dinheiro, de ter esse ou aquele carro, uma casa ou apartamento desse ou daquele valor, mas eu creio que está mais do que na hora de começar a mudar se um dia eu quiser tocar a vida de tanta gente quanto o Seu Piero, como minha avó o chamava.
Uma coisa ele já mudou em mim. A forma como lido com as pessoas que aqui ainda estão. Hoje já não reclamo mais dos almoços em família, de ir passar o domingo na casa dos meus tios no interior e, principalmente, passo mais tempo com aqueles que eu sei que não tem tanto tempo, como eu, por vir.
A vida é boa. E é muito curta pra se desperdiçar com besteiras. Meu avô faleceu há quase um ano, mas ainda hoje me toca. Graças a ele eu revi algumas atitudes e mudei algumas decisões imutáveis.
Como você quer ser lembrado quando partir? Já se fez essa pergunta? Hoje pode ser o dia certo pra começar a mudar. Eu, pelo menos, comecei.
Agora me dêem licença, por favor, porque tenho algumas pessoas pra ir conversar...
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