terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Reinvenção de um sonho

Ultimamente eu não tenho estado muito bem. Minha cabeça vem refletindo demais, e pensar muito não faz bem a ninguém. O problema é que como não viemos com um botão de desligar, não consigo fazer isso parar.
Muitas indagações vêm passando pela minha mente, muitas delas pondo em cheque o meu futuro. Muitos já sabem das minhas últimas escolhas, sobre o futuro que montei, sobre algumas habilidades que até então eu mesmo desconhecia.  Fiquei muito feliz com tudo isso, e ainda estou, seriamente falando, contente com tudo isso.
Porém a lua-de-mel terminou e com ela aquele detalhe que eu achava tão bonito, no início, vem me irritando profundamente. O casamento parece não ter o futuro que eu queria. Mas como todos bem sabem, nada é como queremos que seja. Só que nesse caso, muito se tem a perder com tal acontecimento.
Tenho me dedicado de corpo e alma, trabalhado madrugada adentro, perdendo horas fazendo estudos, indo atrás de documentos e milhares de viagens de carro e ônibus. As decisões sempre partem de mim, as escolhas e opções sempre sou eu quem apresento, a alma disso tudo tem sido minha força de vontade. Porém aquela divisão favorável a mim não me é mais suficiente.
Muito tempo foi gasto com tudo isso, além de dinheiro. Mas com esse tempo outros valores e prioridades voltaram a florescer dentro de mim, alguns deles arrancados anteriormente por esta outra parte do “casamento”.
Talvez eu esteja cansado de levar todo o estresse nas costas, de tentar fazer a coisa dar certo, dividindo igualitariamente a carga e recebendo um trabalho mal feito. Não, um trabalho em grupo não funciona assim. Desde o início eu fui questionado sobre qual o papel da outra parte. Acontece que chegou uma hora que nem eu mais soube responder.
Um sonho vem crescendo dentro de mim. Uma vontade de voltar às origens que nunca havia sentido antes. De repente, aquela pequena propriedade rural próxima a cidade, com uma vida tranquila e MUITAS árvores ao redor vem chamando a atenção. Uma vida sem muitos luxos, com muito trabalho e muita satisfação me parece tão tentadora... Aquela velha máxima da outra parte “ganhar muito com pouco esforço” tem me parecido um tanto quanto errada, da mesma forma que me pareceu a primeira vez que a ouvi.
As famílias de meus pais sempre batalharam para conseguir aquilo que construíram até hoje. Assim são meus próprios pais. E assim eu serei. Há muito mais história e tradição em suas vidas do que muitos ouvirão falar. Descobri de onde vem minhas paixões e de onde surgiram minhas vocações. É o ciclo da vida, creio eu.
Acho que estou me preocupando demais, e minha moral sempre me disse para dar valor apenas às coisas que realmente merecem. Se algo que deveria ser bom está me prejudicando é porque tem algo de errado.
Ainda bem que erros são corrigíveis. Porém nosso caminho precisa ser construído da melhor maneira possível, e nisso estamos sozinhos. Não sei se vocês conseguiram entender o que quis dizer, nem é minha intenção. O que vale ressaltar, é que acho que o casamento acabou, o que significa que tudo continua como está, sem a parte que prejudica.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ele novamente

Hoje eu encontrei um site muito legal, era de uma marca chamada "Life is good". Esse site, além de uns produtos a venda, possuía muito mais do que meros interesses comerciais. A página inicial era dedicada a histórias enviadas por pessoas que cultuavam esse estilo de vida, diversas delas contando casos, uns contos tristes, alguns felizes outros apenas palavras cheias de significado.
Uma dessas histórias era a respeito de um pai de família, já aos seus 60 anos, com uma esposa que o amava, filhos que encontraram seus caminhos, netos divertidos... Este homem um dia teve uma dor de cabeça e descobriu que carregava em si um tumor cerebral. Mas ele não desanimou, jamais havia deixado um empecilho na vida acabar com seu amor por ela. Então começaram 3 anos e meio, longos anos, de luta contra seu problema. Nesse meio tempo ele conheceu o lema "Life is good" e o usou como seu próprio lema de vida.
Finalmente, em um dia frio de novembro ele partiu, mas deixou a toda sua família a impressão de um batalhador, alguém que viveu intensamente e que nunca perdeu o amor pela existência mesmo em situações verdadeiramente aterradoras.
Comentando essa história com uma pessoa, ela me disse que a tinha achado triste. Foi então que começou uma mudança no meu dia. Aliás, que meu novo dia começou com boas vibrações.
Lembrei a ela que uma morte pode ser vista por dois ângulos. Um triste, o da perda, e outro feliz. Eu sempre tento ver por este outro lado.
Quem acompanhou meu blog, sabe que 2010 foi marcado por grandes perdas. Nesse ano dois grandes amigos se foram e deixaram suas marcas. Por mais que tenha sido difícil, eu tentei ver o lado positivo.
Não pude ir ao enterro de um deles, mas fui ao do outro, meu avô. Confesso que não é algo muito fácil ver meu noninho ali, deitado num caixão...
Logo eu que nunca havia perdido alguém próximo, perder duas pessoas assim uma após a outra. Foi um choque tremendo. Mas me serviu de grande exemplo.
Digo exemplo, porque me lembrei de todos os momentos bons que passei ao lado do meu querido avô, de tudo que aprendi com ele, de todas as risadas que compartilhamos... Parece que ainda hoje vou chegar na sua casa, entrar e vê-lo rindo ao assistir Chaves e Chapolin, na sala, com aquele sorriso alegre por me ver.
Algo que me emocionou muito foi ver que TODA sua cidade compareceu ao seu velório. Descobri ali que um homem planta coisas que nenhuma cirurgia fatal pode destruir. Nunca vi tantas pessoas tocadas pela partida de um homem simples que morava numa casa de madeira no interior do interior do interior.
Meu avô sempre procurou ser bom, começou como empregado e juntou moeda por moeda para comprar suas terras. Mas jamais esqueceu dos outros, sempre ajudou quem precisou e tocava a igrejinha de sua comunidade, mas claro que sempre seguida de seu joguinho de bocha com os amigos no centro comunitário do lado.
Até mesmo o padre se emocionou e fez um agradecimento mais que especial a este homem. E tudo isso me fez pensar em tantas coisas...
Eu ali conversando com minha amiga, meus pensamentos imersos e minhas lágrimas escorrendo. Talvez eu jamais consiga tocar a vida de tantas pessoas como ele fez. Talvez eu jamais faça tão bem quanto ele. Talvez eu jamais crie uma família tão maravilhosa quanto ele...
Sei que existem muitas coisas além de dinheiro, de ter esse ou aquele carro, uma casa ou apartamento desse ou daquele valor, mas eu creio que está mais do que na hora de começar a mudar se um dia eu quiser tocar a vida de tanta gente quanto o Seu Piero, como minha avó o chamava.
Uma coisa ele já mudou em mim. A forma como lido com as pessoas que aqui ainda estão. Hoje já não reclamo mais dos almoços em família, de ir passar o domingo na casa dos meus tios no interior e, principalmente, passo mais tempo com aqueles que eu sei que não tem tanto tempo, como eu, por vir.
A vida é boa. E é muito curta pra se desperdiçar com besteiras. Meu avô faleceu há quase um ano, mas ainda hoje me toca. Graças a ele eu revi algumas atitudes e mudei algumas decisões imutáveis.
Como você quer ser lembrado quando partir? Já se fez essa pergunta? Hoje pode ser o dia certo pra começar a mudar. Eu, pelo menos, comecei.
Agora me dêem licença, por favor, porque tenho algumas pessoas pra ir conversar...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Uma vida sem sonhos


Alguns dizem que a natureza humana é reclamar. Quando está quente, reclamam que queriam o frio. Quando está frio, reclamam que gostariam que estivesse quente. Como se não bastasse o tempo, os seres humanos reclamam de vários outros detalhes.
Já notaram como é moda reclamar da política? Como reclama-se da violência, da pobreza, de como não sobra tempo para nada, como se está gordo, como a vida é muito corrida, como se tem saudades desse ou daquele...
Quem me conhece sabe que não sou uma exceção, reclamo constantemente, mas também sabem que não sou alguém que reclama e deixa por assim mesmo. Raramente vejo a pessoa que reclama da violência fazer algo para tentar amenizá-la. Nem que isto seja se mudar para um lugar menos violento. E aqueles que não tem tempo para nada, gastam o tempo que poderiam fazer algo útil em reclamações. Os que estão gordos não se exercitam e nem controlam a alimentação, os que tem saudade não fazem uma simples ligação...
Tudo bem reclamar, mas então façamos algo para mudar. Aqueles que conseguem algo na vida são aqueles que vão atrás de maneiras de mudá-la para alcançarem aquilo que buscam. E é dessa maneira que a vida parece tão mágica para alguns.
Chega de dizer “como a vida é boa para fulano de tal”. Que tal falar “agora a vida será boa para mim”. Pouco se precisa para isso.
Não é bonito conversar, ter uma habilidade diferente? Já pensou em aprender francês, a língua dos amantes? Ou então italiano, alemão, as línguas dos descendentes de muitas pessoas desse país?
E aquela praça pela qual você passa todo dia? Você para por lá mais do que passa correndo por ela? Já reparou nas árvores que ali estão? Quantas pessoas já sentaram naqueles bancos, cada qual com um pensamento diferente, com uma emoção especial, com minutos de seu tempo para apreciar a vida. Não é mágico sentar sob a sombra de uma destas árvores e sentir o vento em seu cabelo? A vida parece passar diferente para quem dali observa.
Para se ter uma vida melhor, basta dizer “Eu vou” ao invés de “Como seria bom se”. Fomos feitos para aproveitarmos a vida que nos foi dada. Não importa o quão corrida ela seja, se você acha que não há tempo para isso ou aquilo. O tempo, já foi dito, é relativo. Cada um controla o seu relógio, depende apenas do indivíduo.
Reclamava que no meu primeiro apartamento não havia sacada e aquilo me deixava depressivo. Mudei para um apartamento no alto com sacada e uma vista de dar inveja. Então reclamei que nunca mais entrei em contato direto com a natureza. Meu novo condomínio tem um trilha numa área de preservação e até hoje não fui lá. Vergonhoso. Mas não basta eu descer do meu andar, e seguir até lá? Sem me importar com o que os vizinhos vão achar? Afinal, por que seria vergonhoso ir numa trilha?
Nossa mente é aberta desde que assim desejarmos. Se nos prendermos a pequenos detalhes jamais iremos seguir em frente. Iremos sempre ouvir aquela voz nos dizendo “não dá, não pode, impossível”.
Diga adeus às suas correntes, a vida passa, mesmo sem você. Então acorde, faça aquela caminhada, se inscreva para aquele curso de francês, doe uma cesta de alimentos para uma família carente, mude-se, seja sincero com seu chefe, vá até aquela trilha!
Como diria um grande sábio chamado Jason Mraz: “What if this plans are collapsible?”. Estamos sujeitos a tudo na vida, portanto tome uma atitude! Acorde! Torne sua vida mágica, mas acima de tudo VIVA.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Contradições

Ouvindo uma de minhas músicas favoritas, rolo pela minha cama, sem sono. Mais uma noite de pensamentos acelerados, de dores de cabeça, de lanches noturnos, mais uma noite mal dormida.
Olho para o relógio ao lado e tudo que consigo pensar é "Daqui a pouco tenho que trabalhar...". Então me lembro de noites distantes, as quais eram meu dia, em um relógio biológico alterado. Ah, como eram boas aquelas noites, a falta de rotina, as horas a fio escrevendo, o nescau das 02h da madrugada, às vezes a Bohemia, às vezes a Stella...
Quantos Programas do Jô lembro de ter visto! Quantos tweets perdidos... Ainda, haviam aquelas noites de festa, ou aquelas acompanhadas, melhores ainda quando duravam a noite toda, o suor tomando conta, a mente concentrada e o silêncio forçado para não acordar ninguém.
Lembro que as aulas nunca foram tão matadas, que cada vez era um recordo novo de atraso. Nunca estive tão infeliz, porém nunca estive tão feliz. Coisas ruins me aconteceram todo tempo, mas me ajudavam a valorizar as poucas coisas boas.
Hoje minha insônia é retrato de algo muito bom. A tempestade de ideias, até então adormecida, parece ter voltado a toda. Mas agora é diferente. Parece que vamos crescendo e a vida torna-se mais complicada. Ou é só meu subconsciente reclamando das responsabilidades que o peso de duas décadas me trouxeram.
Nunca estive tão feliz! Mas nunca estive tão cansado. Talvez o fato de saber que as inquietações tem prazo para terminar é que esteja causando isso, mas a verdade é que sou muito grato por tudo.
Eu sei, sou um tanto contraditório. Sei que é impossível satisfazer completamente um ser humano, ele sempre vai encontrar algo para reclamar. Talvez seja essa a qualidade que nos trouxe os avanços de hoje, ou este mesmo avanço que é a causa desse, agora, defeito.
Como em sintonia com meus pensamentos, ouço uma música escolhida aleatoriamente pelo meu mp3. Uma música que ouvia nas noites que tanto sinto falta. Ela me acalma, me traz paz e uma ideia, a qual não tem contradições: "Deus, como preciso de umas férias!"

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O que aprendi com as estrelas

Muitas horas de minha vida eu passei observando o céu que se estendia a frente de minha varanda.
Pensamentos e pensamentos, filosofias, sonhos, alegrias, encantos.
Estas horas me renderam muitas escolhas, muitas decisões que afetaram minha vida. Mas também me garantiram um aprendizado do qual levarei para sempre comigo.
Aprendi que por mais distantes que estejam as estrelas, se você olhar bem perceberá que nunca estão sozinhas. Muitas delas chegam a formar constelações.
Que por mais que luzes de fora tentem ofuscar seu encanto, elas sempre estão lá, e sempre aparecem para quem realmente as busca.
Todos sabemos que as estrelas nascem, vivem, colidem, morrem, mas nunca deixam de emanar seu brilho enquanto vivas. Brilho este que pode transcender sua vida, milhares de anos até.
Algumas estrelas caem e nos deixam muitas saudades, mas sabemos que ao cair deixam marcas iniguiláveis em nossa memória, que quando tocadas nos remetem a momentos de encantos como quando o instante em que fizemos o pedido ao vê-la cair. Apesar disso, sabemos que ela sempre estará em algum lugar perto, mesmo que nunca consigamos encontrá-la.
Penso que todas as estrelas almejam ser como a lua, que com seu brilho gigantesco toma, muitas vezes, a atenção. Porém a lua não seria nada sem as estrelas, e as estrelas perderiam a graça sem a lua. Ainda, muitas estrelas podem ser luas, depende do ponto de vista de quem as observa.
Algumas estrelas nos fazem pensar em como a vida é incrível, em como não sabemos absolutamente nada sobre o universo e em como são interessantes estes mistérios. Estas, por diversas vezes estão sempre juntas a outras, formando uma combinação mais incrível ainda, completando uma a outra e aumento a magia que circula pelo céu noturno.
Não somos capazes de contar, ou de prestar atenção a todas as estrelas ao mesmo tempo, mas algumas nos são mais queridas que outras, mas mesmo assim todas merecem a mesma admiração.
E estas estrelas inspiram amantes, histórias, contos, sonhos e idéias. Elas movem o mundo de quem as observa, mesmo que sejam poucos estes.
Por fim, aprendi que as estrelas são um reflexo nosso, ou vendo do ponto de vista delas, somos um reflexo delas. Mas o mais importante é que como muitos já diziam "existe muito mais entre o céu e a Terra do que podemos imaginar"...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sempre aprendi que devemos buscar a nossa felicidade. A natureza do ser humano é ser sociável, é fazer festa, ser feliz. Mas será isso mesmo?
Existem muitas pessoas verdadeiramente felizes? Ou alienados?
Não consigo buscar as respostas para minhas perguntas e fico horas me condenando. Críticas, elogios, nervosismos e situações fora do comum titubeiam nossos sentidos e deixam nossa cabeça, ao menos a minha, numa montanha russa emocional.
O que sentir? O que não sentir? O que é certo? E errado? O que é melhor? O que me falta? De onde esse vazio vem? POR QUE?
Uma vez eu li que somos escravos de nossa mente e que não há cárcere pior que este. Pensando sobre isso, cheguei à conclusão de que é uma das poucas verdades da vida. Sou muito feliz e grato por tudo que tenho. Poucos tem as mesmas chances que eu, mas sou prisioneiro de meus pensamento.
Queria silenciar minha mente, parar de questionar, parar de enjoar do que consigo, queria parar de pensar nestas coisas também. Mas a verdade... A verdade é que não consigo. Queria apenas viver...
Não estou reclamando do mundo, apenas de sua repercussão em meu ser. Como pode um elogio elevar tanto a minha auto-estima e uma palavra cruel desabar tanto meu consciente? Ou melhor, por que meu consciente gosta tanto de se degradar?
Sabe, às vezes penso que a natureza do homem é ser triste. Guerras, brigas, discussões, perdas de paciência... Não é a toa. Somos tão regrados, tão cercados de normas... Por que me preocupo com elas? Por que me preocupo tanto com os outros? Por que a opinião do próximo é mais importante do que a própria? Por que continuo pensando tanto? Por que? Por que? POR QUE?...
Nossa mente deveria vir com um botão de "OFF". Mas aí não seríamos mais humanos... E será que isso seria ruim? Será que a natureza não gostaria de parar de ser atacada?
Enquanto acabava o último parágrafo me deixei viajar novamente. Minha mente não para. O pior é que daqui a pouco irei dormir, e amanhã tudo será diferente. Novas preocupações, novos problemas, novas surpresas e novas alegrias. Já desisti de tentar entender essa máquina poderosa que é minha mente, mas continuo tentando desvendá-la toda vez que faço isso.
Eu estava bem comigo mesmo, mas me puseram à prova e falhei. Agora, não consigo controlar minha mente e ela pede por socorro. Às vezes gostaria que os seres humanos fossem ilhas isoladas e não que fizessem parte de arquipélagos. Às vezes gostaria é que, ao menos eu, fosse assim e que ninguém se importasse. A realidade é que eu é quem jamais pararia de me preocupar com essas pessoas, justamente por isso. Mente, por favor... OFF.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Decadência de uma cultura

Hoje vou falar de um assunto um pouco diferente no meu blog. Não mais pensamentos vagos, nem nostalgias dos bons tempos. Hoje tomarei um posição um tanto quanto política.
Pois bem, eu estava acordado na madrugada, mudando os canais e tentando encontrar algum filme para me distrair. Foi aí que me deparei com "Picnic" (1955).
Esse filme se passa numa pequena cidade do interior norte-americano, onde o sustento dos moradores é uma grande corporação alimentícia, de grãos. Ainda, a trama começa no dia do trabalhador. Toda a cidade está de folga e um grande piquenique é organizado.
Nele as pessoas se encontram, participam de brincadeiras, ouvem a uma banda da cidade, os cidadãos inclusive cantam músicas calmas, que todos gostam. As crianças brincam, os adultos se encontram e conversam e todos passam um dia inteiro no parque, felizes e em comunhão.
Que sociedade incrível! Organizada, amiga. Um país ao qual eu gostaria de fazer parte. Pena que esse cenário mudou. Naqueles tempos não existia o consumo desenfreado que levou à quase inexistência dos recursos naturais daquele país, como o petróleo.
Ainda naquele tempo, a criminalidade era praticamente inexistente, pois todos se conheciam e as pessoas tinham vergonha na cara. Psicopatas, serial killers, personalidades alteradas e pessoas desequilibradas não eram o padrão daquela sociedade.
Não me levem a mal, não acho que todos são assim, mas conversando com americanos, e observando os acontecimentos e atitudes daquela nação, na qual o TER é mais importante que o SER, e comparando esta mesma nação com aquela na qual a comunidade representava a união e amizade de um povo, chego a conclusão de que algo muito errado aconteceu lá.
Já fui fã de carteirinha dos EUA, mas hoje eu penso duas vezes antes de falar dessa nação. Valorizo tudo por que esse país já passou, afinal de escória da Europa pra Maior Potência Mundial é um grande caminho a se tomar.
Mas veja o Brasil, veja Joaçaba. Em 1950 essa cidade era uma das mais prósperas do Brasil. Era uma comunidade pequena, amiga, com costumes parecidos com aqueles. Então veio o crescimento desenfreado e sem planejamento e hoje temos congestionamentos quase que o tempo inteiro e pessoas desdenhando as outras.
A maior reclamação das pessoas das cidades em volta, vindas de comunidades nas quais a união ainda faz parte do cotidiano, é que nesta cidade a população é muito esnobe, fria e se importa demais com coisas fúteis. Por mais que eu queira descordar, vejo que muita verdade há nisso. Mesmo meu amor pela minha cidade não diminuindo, sei que poderia melhorar. Eu quero muito bem ao meu país, e se aqui já houve consequências, pegue os grandes centros brasileiros. Pois bem.
O Brasil tem um potencial enorme, mas insiste em copiar atitudes de fora sem se questionar se elas realmente são o correto a se fazer. Os EUA cresceram a seu modo e para toda sua ação, hoje eles tem uma reação que não é uma das melhores. Eles são o país mais desenvolvido do planeta, mas só estruturalmente. O Brasil tem muito a se desenvolver, mas eu acredito na boa vontade de nosso povo, e sei que moralmente ainda temos certo grau considerável, mas ele insiste em diminuir cada vez mais.
Só que a resposta não está nas mãos dos políticos, mas sim nas mãos de cada um. Na manutenção de tradições, na passagem de valores de pais para filhos. Será que não veem que estamos caminhando na direção errada?
A poderosa cultura americana eu já considero decaída. Mas e a brasileira? Tem salvação ainda? Creio que sim. Mas é preciso atitude, e ela começa com cada um de nós.