Sei lá. Venho sentindo essa vontade de refletir sobre tudo, ultimamente. Essa coceira que começa com uma frustração ao perceber alguma coisa, que se segue pela vontade incontrolável de escrever aqui. Peço desculpas se te aborreço com minhas ideias, minhas reflexões e todo esse blablabla... Mas tem que ser posto pra fora de algum modo.
Sabe, eu me sinto manipulado, me sinto viciado, acima de tudo cansado. De que? Dessa vida que levamos, o que mais seria? Desse nosso apego extremo sobre as teconologias, as redes sociais, os meios de comunicação, sobre o modo que vivemos em sociedade, e de como não vivemos mais. De como deixamos a vida passar, sem percebe-la.
Não sejamos omissos. Quem aqui não perde horas e horas do seu dia em frente a um computador, olhando fotos dos outros, conversando com eles, postando frases e fotos, ou apenas olhando tudo, e de novo, de novo, e mais uma vez...
Nos tornamos escravos coletivos. E digo coletivo, porque se uma pessoa se arrisca a isolar-se, ela é excluída do mundo. Hoje em dia tudo é marcado on-line, tudo se comenta virtualmente. Hoje em dia, se passa de foto em foto e a cada uma cria-se um pensamento, um julgamento.
É para isso que ficamos em frente às telas o tempo todo. Queremos saber o que está acontecendo e para já. Queremos ver o que fulano e ciclano fizeram, e como estavam, com quem estavam. Queremos julgá-lo por como aparece em sua foto, queremos comentar e rir com nossos amigos daquilo.
Fui acostumado a crescer longe dessas inovações. Não sei o que tenho que não consigo gostar. E quando digo gostar, é só isso mesmo. Afinal, como todos sabem, também sou um escravo digital e quase que integralmente.
Não sou hipócrita, não quero criticar quem gosta disso. É só que isso me deixa agoniado, me deixa vazio. É como se não existissem amigos de verdade hoje em dia, perceberam como está mais difícil?
O que se faz hoje, o que se conversa é sobre como fulana está gata em tal foto, em como ciclana está vulgar (pra ser educado). Sobre a festa que se vai na sexta, e no sabado, e no domingo, e na segunda... O mundo corre rápido e mais rápido, e gira e gira... Mas ao mesmo tempo não o vemos girar.
Ou você vai dizer que sente as horas passarem? Que quando se está no facebook o tempo não voa? Que quando se viu, não fez nada do que tinha para fazer, nada de útil, porque se perdeu nos comentários ou nos bate-papos?
Hoje depois do trabalho eu resolvi sentar na praça do condomínio. Estava um fim de tarde ótimo: céu azul, um pouco quente, mas na medida certa, algumas nuvens pelo céu... E foi quando eu observei as nuvens e vi como elas se movimentavam, e como o céu ia mudando de cor conforme o tempo ia passando, conforme a sombra ia crescendo, que eu percebi quanto tempo eu havia passado sem reparar no mundo andando.
Vivemos dentro de nossas mentes e de nossas celas, muitas delas virtuais. Quando crianças observamos tudo. Lembra como era curioso qualquer novidade que víamos? Qualquer coisa era possível, pois não tinhamos limites. E hoje? Estes limites existem dentro de cada um de nós, criados por suposições nossas de como seremos julgados caso fizermos isso e aquilo.
Me perdoem pela quantidade de texto, mas o desabafo é necessário. Imaginem isso tudo dentro da minha cabeça, martelando...
Sinto falta de uma vida onde eu consiga observar o tempo passar, onde o computador não seja uma extensão de mim mesmo... Quem diria, eu poderia estar escrevendo isso em um papel, não é? Viu como são as coisas? Tenho saudades de quando eu usava meu tempo observando como uma árvore reagia ao vento, ao invés de ficar vendo fotos do mundo, sem realmente conhecê-lo...
É complicado isso. E não tenho solução para tal, jamais foi minha intenção ao escrever isso.
Tenho sede de vida, tenho sede de respirar de verdade, de observar e de sentir de verdade.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
Escolhas
Era uma noite de lua cheia, no qual as estrelas eram ofuscadas pelo brilho daquele globo prateado bem no meio do céu. O clima era ameno, o barulho quase inexistente. Talvez só não totalmente mudo, pelo calmo e baixo respirar de um bebê que dormia despreocupado em seu berço, sob os olhos de um pai que com um leve sorriso o analisava de cima a baixo, como quem não consegue acreditar no que está vendo, um sentimento de amor profundo em seu peito. Amor este como só existe entre família.
O jovem rapaz, com seus trinta e poucos anos, mal conseguia acreditar que aquela pequena criatura que descansava silenciosamente, e que há dez minutos atrás postava-se a chorar descontroladamente, havia saído como um fruto de seu amor por sua esposa. Como era incrível.
Deixou-se levar pelos seus pensamentos, não havia como não observar o pequeno garoto sem pensar em seu longo futuro. Estava animado por ter de ensinar ao seu bebê os primeiros passos, a falar "mama", "papa", a ter que ajudá-lo a se levantar de seus muitos tombos nas brincadeiras que faria. Seu coração acelerava só de imaginar.
De repente sentiu um frio em seu peito. Ao dar seus primeiros passos, seu filhinho estaria rumando para a independência, para o futuro, para o crescimento... Ah, mas ainda teria muito tempo com ele. A escolinha, os primeiros romances, teria que ensiná-lo a praticar esportes, quem sabe não seria um grande corredor como o pai?
A cena veio a sua mente, ele quinze anos mais velho correndo lado a lado com o jovenzinho. Talvez até perdendo para ele. Riu sozinho no quarto, cuidando para não fazer barulhos demasiados que pudessem acordar o bebê, ou mesmo sua esposa que repousava depois de dias cansativos de recuperação.
Ao mesmo passo que abriu seu sorriso, o fechou. Lembrou de quando era mais novo, de como não gostava que sonhassem futuros para si, de como queria construir seus próprios hobbies, seus próprios interesses, de como era rebelde em sua adolescência. Isso tudo se repetiria com seu filho? Provavelmente.
Crianças são seres humanos como quaisquer outros, indivíduos, pessoas com suas próprias necessidades. Imaginou seu filho acreditando que tudo era possível, crescendo querendo ser um astronauta, um piloto, pensando que pode fazer o que quiser. Na realidade, poderia mesmo. Tentou visualizar ele apaixonando-se pela primeira vez, dando seu primeiro beijo, seu primeiro relacionamento. Ah, como haviam coisas para se fazer e aprender nessa vida.
Em seguida viria a faculdade, a fase de aproveitar a vida e onde provavelmente pararia de acreditar no amor até se apaixonar de verdade. Onde teria o primeiro contato com a vida dos adultos, onde nem tudo é possível. Sentiu uma ponta de medo, não queria que seu filho passasse por isso.
E se o choque fosse tão grande que ele quisesse largar tudo e viajar como um andarilho, igual a estas histórias que ouve-se por aí? Como seria viver assim, à mercê da sociedade? Como viveria ele, o pai, sem saber notícias de seu filho, sem saber se estava bem, imaginando-o passando frio e fome. Talvez vivesse mais feliz do que essas pessoas aprisionadas no sistema, como chamavam. Talvez fosse mais feliz do que pudesse imaginar.
Seus olhos vislumbravam o nada enquanto filosofava. O engraçado é que preocupava-se tanto com alguém que alguns dias atrás nem sequer existia. Curioso como as coisas aconteciam na vida.
Seus olhos vislumbravam o nada enquanto filosofava. O engraçado é que preocupava-se tanto com alguém que alguns dias atrás nem sequer existia. Curioso como as coisas aconteciam na vida.
Olhou para seu relógio, já estava há um bom tempo ali. Abaixando-se cuidadosamente, postou-se a beijar a pequena testa do bebê. Ele nem acordou. Sorriu novamente, e finalmente encontrou a resposta das perguntas que estava se fazendo: não há como saber. Pessoas nascem sem medos, sem preconceitos, sem definições e sem parâmetros: tudo é possível na cabeça de alguém que acabou de nascer. Conforme se cresce é que absorvem-se experiências, que ouvem-se os primeiros nãos e criam-se os primeiros muros. Mas isso varia de ser para ser. Esperava o melhor para seu filho, mas sabia que para o seu bem era preciso deixá-lo experimentar, absorver, viver.
Respirando profundamente, deitou-se em sua cama pensando em sua vida e como estava feliz por tudo. Pelos momentos ruins e pelos bons como esse. Fechou seus olhos lentamente, deixando-se levar pelo peso do sono de um pai que pouco dorme em função de seu novo filho, mas que estava seguro de que acontecesse o que fosse acontecer, e estivesse onde pudesse estar, apoiaria seu filho incondicionalmente em suas escolhas conscientes.
sábado, 25 de agosto de 2012
Medo
Por várias vezes, neste mesmo blog, eu falei sobre morte, sobre desafios, escolhas e eventos de minha vida. Mas nunca eu tirei um tempo para falar de algo um pouco mais íntimo e que desvenda um pouco mais sobre minha própria personalidade.
Seres humanos sentem medo, é natural, é o instinto falando. Sem o medo, seríamos inconsequentes. Alguns temem o escuro, outros temem os mortos, pessoas temem pessoas... São características que nos definem, que moldam nosso jeito de ser e como reagimos a certas circunstâncias.
Vocês bem sabem que da morte eu não tenho medo. Chegará minha hora e devo aceitar, apesar de que ficarei muito triste pelos que possam sofrer minha perda. Realmente isso me deixa nervoso, mas não com medo.
Mas então, serei eu um destemido corajoso que não teme nada? Não. Aliás, acredito ser impossível uma pessoa não sentir medo de pelo menos alguma coisa, por mais que negue sempre temos nossos monstros vivendo dentro de nós mesmos.
Pensando profundamente, cheguei a conclusão de que somente duas coisas podem me deixar com muito medo. A primeira delas... bem, não vem ao caso agora. A segunda, que é o motivo de estar escrevendo este texto, essa sim tem o poder de me deixar noites sem dormir, de despertar dores profundas em meu estômago e implantar a pior dor de cabeça do mundo em questão de segundos.
O que seria esse medo?
Eu vos digo: eu tenho medo de ficar sem dinheiro.
Calma, não me julguem por fútil ou algo parecido. Sei que a felicidade existe mesmo para aqueles que vivem à mercê da sociedade. Mas vivo em uma situação hoje que muito me preocuparia acordar certo dia e descobrir que não tenho nada.
É triste a realidade em que vivemos, onde tudo depende de um pedaço de papel com um valor escrito. Ou pior, onde um número em uma tela eletrônica indica o que você pode fazer e até quando sua liberdade pode continuar.
Já imaginou acordar certo dia e dar-se conta de que você não tem dinheiro para pagar o seu aluguel? Onde você irá morar? E que não tem dinheiro para pagar suas contas? A luz, o gás, a internet... Pior ainda, que não há dinheiro suficiente para um almoço. Quantos dias você aguentaria sem poder comer? E se não tivesse dinheiro para pegar um ônibus? Se suas roupas estivessem velhas e gastas e não pudesse comprar mais?
Tudo bem, coisas materiais. Mas você já reparou que hoje não se tem amigos sem dinheiro? Ou quando você combina de sair com seus amigos, para comer, ver um filme, jogar algum jogo, ou mesmo dar uma volta, nada é gasto? Se você não tem dinheiro, você não pode acompanhar seus amigos nas atividades que mantem suas amizades.
Acredito em amizades verdadeiras, que duram além disso. Amigos que pagam coisas uns para os outros, também. Mas sempre tem que haver a recíproca, não é?
O pior fato de todos: já pensou, além de não ter dinheiro, você morar longe de sua família? Do seu suporte de todas as horas? É. Você não teria como ir até eles, entrar em contato com eles, pedir ajuda.
Julgamentos a parte, este é meu segundo maior medo. Profundo, intenso, de me tirar o sono, fazer meus cabelos caírem e minha idade avançar mais rápido. Talvez seja por isso que muito me perco em filmes como Into the wild, livros do Amyr Klink, histórias de pessoas que vivem um passo a frente da construção de nossa sociedade. Mas ao mesmo tempo, acho impossível eu ter uma vida fora do sistema...
Não sei, medos costumam ser confusos e o meu não é diferente.
Algo para entender melhor o que estou falando é o filme "O Preço do Amanhã (In time)". Quando o vi, senti meu medo construído na tela de minha televisão.
Sabe como deve se sentir alguém preso a uma jaula, com pouca luz e sem ter o que fazer sobre sua situação? É exatamente assim que eu me sentiria se um dia não tivesse dinheiro. Sonhos são lindos, planos podem facilmente ser desenhados. O fato é que a vida de adulto nos traz um desprazer muito grande, e esse desprazer é saber que para realizá-los é sempre preciso alguém para custeá-los...
Seres humanos sentem medo, é natural, é o instinto falando. Sem o medo, seríamos inconsequentes. Alguns temem o escuro, outros temem os mortos, pessoas temem pessoas... São características que nos definem, que moldam nosso jeito de ser e como reagimos a certas circunstâncias.
Vocês bem sabem que da morte eu não tenho medo. Chegará minha hora e devo aceitar, apesar de que ficarei muito triste pelos que possam sofrer minha perda. Realmente isso me deixa nervoso, mas não com medo.
Mas então, serei eu um destemido corajoso que não teme nada? Não. Aliás, acredito ser impossível uma pessoa não sentir medo de pelo menos alguma coisa, por mais que negue sempre temos nossos monstros vivendo dentro de nós mesmos.
Pensando profundamente, cheguei a conclusão de que somente duas coisas podem me deixar com muito medo. A primeira delas... bem, não vem ao caso agora. A segunda, que é o motivo de estar escrevendo este texto, essa sim tem o poder de me deixar noites sem dormir, de despertar dores profundas em meu estômago e implantar a pior dor de cabeça do mundo em questão de segundos.
O que seria esse medo?
Eu vos digo: eu tenho medo de ficar sem dinheiro.
Calma, não me julguem por fútil ou algo parecido. Sei que a felicidade existe mesmo para aqueles que vivem à mercê da sociedade. Mas vivo em uma situação hoje que muito me preocuparia acordar certo dia e descobrir que não tenho nada.
É triste a realidade em que vivemos, onde tudo depende de um pedaço de papel com um valor escrito. Ou pior, onde um número em uma tela eletrônica indica o que você pode fazer e até quando sua liberdade pode continuar.
Já imaginou acordar certo dia e dar-se conta de que você não tem dinheiro para pagar o seu aluguel? Onde você irá morar? E que não tem dinheiro para pagar suas contas? A luz, o gás, a internet... Pior ainda, que não há dinheiro suficiente para um almoço. Quantos dias você aguentaria sem poder comer? E se não tivesse dinheiro para pegar um ônibus? Se suas roupas estivessem velhas e gastas e não pudesse comprar mais?
Tudo bem, coisas materiais. Mas você já reparou que hoje não se tem amigos sem dinheiro? Ou quando você combina de sair com seus amigos, para comer, ver um filme, jogar algum jogo, ou mesmo dar uma volta, nada é gasto? Se você não tem dinheiro, você não pode acompanhar seus amigos nas atividades que mantem suas amizades.
Acredito em amizades verdadeiras, que duram além disso. Amigos que pagam coisas uns para os outros, também. Mas sempre tem que haver a recíproca, não é?
O pior fato de todos: já pensou, além de não ter dinheiro, você morar longe de sua família? Do seu suporte de todas as horas? É. Você não teria como ir até eles, entrar em contato com eles, pedir ajuda.
Julgamentos a parte, este é meu segundo maior medo. Profundo, intenso, de me tirar o sono, fazer meus cabelos caírem e minha idade avançar mais rápido. Talvez seja por isso que muito me perco em filmes como Into the wild, livros do Amyr Klink, histórias de pessoas que vivem um passo a frente da construção de nossa sociedade. Mas ao mesmo tempo, acho impossível eu ter uma vida fora do sistema...
Não sei, medos costumam ser confusos e o meu não é diferente.
Algo para entender melhor o que estou falando é o filme "O Preço do Amanhã (In time)". Quando o vi, senti meu medo construído na tela de minha televisão.
Sabe como deve se sentir alguém preso a uma jaula, com pouca luz e sem ter o que fazer sobre sua situação? É exatamente assim que eu me sentiria se um dia não tivesse dinheiro. Sonhos são lindos, planos podem facilmente ser desenhados. O fato é que a vida de adulto nos traz um desprazer muito grande, e esse desprazer é saber que para realizá-los é sempre preciso alguém para custeá-los...
domingo, 29 de julho de 2012
Semântica
Uma troca de olhares, um sorriso meio tímido, um pensamento seguido de uma escolha que leva a um certo destino.
Não é curioso como tudo funciona? Tantas vezes fala-se em dois caminhos e uma só possibilidade. Nas pessoas que te acompanham, nas implicações que isso terá. Aí, tão rápido quanto aquela estrela cadente que você viu cair noites atrás, surge esse momento que bagunça tudo e te deixa embasbacado.
Aquela música de fundo, aquele nervosismo singular, você sente-se suando frio com uma urgência de roer suas unhas. Ao mesmo tempo que sente medo em envolver-se, seu coração o trai buscando a adrenalina das emoções à flor da pele.
Seja você, seja seu amigo, sejam seus familiares, quem for. As peculiaridades da vida ocorrem de similar maneira, perspicaz, o que muda é o modo como cada um trabalha com isso. Alguns preferem titularidade, outros são mais reservados.
O dilema é que o futuro está envolto em um véu muito obscuro e não há como se adivinhar as oportunidades às quais você será apresentado em alguns dias, horas, minutos...
Mais curioso ainda, é que este mesmo dilema consegue adequar-se ao passado. Quem nunca se perdeu imaginando aqueles "Tempos de Ouro". Como tudo era mais simples, mais devagar, em como as pessoas eram melhores. Será mesmo?
Os terremotos que bagunçam sua vida hoje, também fizeram-se presentes em diversas ocasiões. O fato é que nunca saberemos quando ocorreram, ou como se sucederam. O maior presente da humanidade, que também é sua maior desgraça, é a individualidade que nos permite a discrição nos momentos certos e que também nos lega o sofrimento em silêncio.
Então o que seria essa troca de olhares? Esse sorriso meio tímido? Esse pensamento que levou a uma escolha que, por sua vez traçou um destino?
Será um novo romance, como você está imaginando? Ou será uma troca de olhares perante um novo desafio, uma nova possibilidade? O que um autor quer dizer com suas palavras? Não te incomoda não saber?
"A vida e seus mistérios". Tão clichê.
Seja em Paris, seja em Singapura, Miami, São Paulo... Qualquer pessoa, de qualquer lugar tem seus momentos de perdição. Mas uma perdição através da imaginação, da lembrança e da vontade. Todos são apresentados a momentos de trocas de olhares, de sorrisos tímidos, de pensamentos com decisões.
Qual o objetivo desse texto?, pergunta-se o leitor. Toma-se o contexto que preferir, novamente entra o individualismo como presente ou maldição. O que quer se dizer, sabe-se somente no momento da escrita. O que far-se-á depois, lega-se ao momento. E assim tem sido por todos os tempos.
Não é curioso como tudo funciona? Tantas vezes fala-se em dois caminhos e uma só possibilidade. Nas pessoas que te acompanham, nas implicações que isso terá. Aí, tão rápido quanto aquela estrela cadente que você viu cair noites atrás, surge esse momento que bagunça tudo e te deixa embasbacado.
Aquela música de fundo, aquele nervosismo singular, você sente-se suando frio com uma urgência de roer suas unhas. Ao mesmo tempo que sente medo em envolver-se, seu coração o trai buscando a adrenalina das emoções à flor da pele.
Seja você, seja seu amigo, sejam seus familiares, quem for. As peculiaridades da vida ocorrem de similar maneira, perspicaz, o que muda é o modo como cada um trabalha com isso. Alguns preferem titularidade, outros são mais reservados.
O dilema é que o futuro está envolto em um véu muito obscuro e não há como se adivinhar as oportunidades às quais você será apresentado em alguns dias, horas, minutos...
Mais curioso ainda, é que este mesmo dilema consegue adequar-se ao passado. Quem nunca se perdeu imaginando aqueles "Tempos de Ouro". Como tudo era mais simples, mais devagar, em como as pessoas eram melhores. Será mesmo?
Os terremotos que bagunçam sua vida hoje, também fizeram-se presentes em diversas ocasiões. O fato é que nunca saberemos quando ocorreram, ou como se sucederam. O maior presente da humanidade, que também é sua maior desgraça, é a individualidade que nos permite a discrição nos momentos certos e que também nos lega o sofrimento em silêncio.
Então o que seria essa troca de olhares? Esse sorriso meio tímido? Esse pensamento que levou a uma escolha que, por sua vez traçou um destino?
Será um novo romance, como você está imaginando? Ou será uma troca de olhares perante um novo desafio, uma nova possibilidade? O que um autor quer dizer com suas palavras? Não te incomoda não saber?
"A vida e seus mistérios". Tão clichê.
Seja em Paris, seja em Singapura, Miami, São Paulo... Qualquer pessoa, de qualquer lugar tem seus momentos de perdição. Mas uma perdição através da imaginação, da lembrança e da vontade. Todos são apresentados a momentos de trocas de olhares, de sorrisos tímidos, de pensamentos com decisões.
Qual o objetivo desse texto?, pergunta-se o leitor. Toma-se o contexto que preferir, novamente entra o individualismo como presente ou maldição. O que quer se dizer, sabe-se somente no momento da escrita. O que far-se-á depois, lega-se ao momento. E assim tem sido por todos os tempos.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Life is wonderful
LIFE IS WONDERFUL - Jason Mraz
It takes a crane to build a crane
It takes two floors to make a story
It takes an egg to make a hen
It takes the hen to make an egg
There is no end to what I'm saying
It takes two floors to make a story
It takes an egg to make a hen
It takes the hen to make an egg
There is no end to what I'm saying
It takes a thought to make a word
And it takes some words to make an action
And it takes some work to make it work
It takes some good to make it hurt
It takes some bad for satisfaction
And it takes some words to make an action
And it takes some work to make it work
It takes some good to make it hurt
It takes some bad for satisfaction
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la la la la life goes full circle
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la la
Ah la la la la la la life goes full circle
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la la
It takes a night to make it dawn
And it takes a day to make you yawn brother
It takes some old to make you young
It takes some cold to know the sun
It takes the one to have the other
And it takes a day to make you yawn brother
It takes some old to make you young
It takes some cold to know the sun
It takes the one to have the other
And it takes no time to fall in love
But it takes you years to know what love is
And it takes some fears to make you trust
It takes those tears to make it rust
It takes the dust to have it polished
But it takes you years to know what love is
And it takes some fears to make you trust
It takes those tears to make it rust
It takes the dust to have it polished
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la la la la life goes full circle
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la it is so...
Ah la la la la la la life goes full circle
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la it is so...
It takes some silence to make sound
And It takes a loss before you found it
And It takes a road to go nowhere
It takes a toll to make you care
It takes a hole to make a mountain
And It takes a loss before you found it
And It takes a road to go nowhere
It takes a toll to make you care
It takes a hole to make a mountain
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la la la la life goes full circle
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la la la la life is meaningful
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la la la la
Ah la la la la la la life goes full circle
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la la la la life is meaningful
Ah la la la la la la life is wonderful
Ah la la la la la la
sábado, 28 de abril de 2012
Cheek to Cheek
Era uma manhã chuvosa, típica de um outono que se perpetuava nos curtos dias de abril. Dentro de um pequeno apartamento, encontrava-se um jovem pensador deitado sob os cobertores e aproveitando as poucas horas de folga que teria neste frio sábado.
De repente uma música invadiu seus ouvidos, uma melodia diferente daquelas as quais estava acostumado a ouvir nos últimos tempos. Procurou de onde vinha aquele som, até encontrar sua origem na tela de sua televisão. Tratava-se de um comercial qualquer, mas de muito bom gosto. Fechou seus olhos e pôs-se a ouvir "Heaven, I'm in heaven...". Um clássico.
Este rapaz adorava clássicos como este, que remontavam a cenas de filmes antigos (os quais também era muito fã). Conseguia se ver em um caro restaurante na antiga New York, New York de Frank Sinatra, jantando com uma linda jovem em um encontro à moda antiga. Engraçado como sua imaginação era fértil e rápida.
Mais rápida ainda, foi a lembrança que veio com esta outra melodia.
Manhãs, tardes, noites e madrugadas de anos anteriores nos quais sua única preocupação era sonhar e lutar por seus objetivos. Lá de volta em sua cidade do interior, localizada em um longínquo vale no meio dos campos de um nada. Quando ir caminhando 5km até sua escola era uma atividade prazerosa. Quando se tinha pouco, mas o que era preciso. Quando pensava estar ousando demais em querer ir longe.
Já naquele tempo imaginava-se em um lugar totalmente distante, queria conquistar o mundo, e sabia por onde começar, motivo este que o fez criar foco e se esforçar para chegar ao seu ápice.
Ah, como se sentia bem ao fantasiar sua trilha sonora ao som dos melhores clássicos do Mestre Sinatra. Seu corpo encontrava-se no meio do nada, mas sua mente voava pelos arranha-céus americanos, as montanhas de Alberta, as paisagens canadenses.
O tempo voou e sua ansiedade crescia proporcionalmente. Já nem esperava mais, quando em uma noite na qual estava com um de seus melhores amigos, resolveu abrir seu e-mail e viu o título de uma nova correspondência que lá encontrava-se. "Admission Letter" era o título. Paralisou. Tudo o que conseguia explicar para seu amigo que o questionava do motivo de estar com os olhos arregalados era "Cara... Cara..."
Era indescritível a sensação que passava por seu corpo ao ler "We are pleased to announce that you've been accepted...". De repente seus sonhos tornavam-se realidade. Uma euforia subiu da ponta de seus pés, passando pelas suas pernas, seu tronco, seus braços, até arrepiar o último fio de cabelo. Não conseguia se segurar. O garoto acordou meio mundo, às duas da manhã, para avisar. Ele havia sido aceito na universidade americana! Superação era o nome do que sentia naquele instante.
Não bastasse isso, o mesmo sentimento, a mesma alegria, a mesma euforia ao ler as mesmas palavras de outro e-mail algum tempo depois. Ele havia sido aceito na universidade canadense.
Agora conseguia entender todos aqueles filmes hollywoodianos. Conseguia se colocar no lugar deles, se sentia honrado da oportunidade. Saiu no jornal da região, seu peito enchia-se de orgulho.
Mas seu coração também pesava ao ouvir o apelo de sua avó: "Não vá, meu filho. Vou sentir muita falta de você. É muito longe". Claro, as viagens para casa teriam que ser reduzidas para no máximo duas vezes por ano. Talvez passaria anos sem ver sua família de novo. Coisas nas quais não havia pensado antes, devido ao tamanho de sua conquista, mas que agora faziam toda a diferença.
Por fim, haviam assuntos a serem tratados. Havia passado em uma universidade na capital de seu estado, e prometeu conhecê-la. Ledo engano ao achar que não se deixaria levar. Ao conhecer a cidade, apaixonou-se. Seu futuro estava comprometido, muita coisa para a cabeça de um adolescente que ainda morava com seus pais. Mas a decisão havia sido tomada sozinha em seu peito.
De volta à tarde de outono, sob seus cobertores, em seu apartamento na capital de seu estado e sem jamais ter saído de seu país, lembrava daqueles momentos inspiradores de seu longínquo passado. Às vezes nem parecia ser ele, era como se visse outra pessoa em uma tela de cinema.
"Heaven, I'm in heaven..." cantarolava enquanto lembrava. Havia pouco tempo que tomara a decisão de conhecer o mundo. Estava com quatro viagens programadas. Aproximadamente cinco anos depois daqueles episódios havia decidido pensar fora da caixa novamente.
O que teria acontecido se ele tivesse ido para a América do Norte já naquela época? Quantas coisas teriam sido evitadas? Quantas teriam sido perdidas? Momentos, desafios, relacionamentos, pessoas... E se ele tivesse tomado rumos diferentes? E se... Isso jamais saberia.
Enquanto olhava pela internet as fotos dos locais onde poderia ter morado, e pensava sobre suas opções, só tinha uma coisa que ecoava fundo em sua mente. O mundo é muito grande para se prender a pequenos espaços e lugares. Pra se prender a passados, e frases que comecem com "E se...". A vida é muito curta para indecisões. Ainda bem que, finalmente, a fantasia estava prestes a se tornar realidade.
Assinar:
Postagens (Atom)