domingo, 18 de março de 2012

Lembranças surgem como um filme na minha cabeça. Aquele dia quente de verão e eu trabalhando quase sozinho na antiga sede da empresa. Aquela boa música fluindo pelos fones de ouvido... Em seguida o almoço no bom e velho Biezza, com aquela vista sensacional da baía norte, os barquinhos velejando tranquilos e eu captando a ironia de estar trabalhando.
Ah, mas como era bom. Naquela época eu achava que sabia como seria meu futuro, certo do que teria que fazer e dos rumos que minha vida estavam tomando. A vida só provou o contrário.
Então tudo mudou. A sede da empresa passou a ser 4km a frente, o novo restaurante sem vista para o mar, eu já não estava mais sozinho em casa, meus planos foram por água abaixo graças a burocracia brasileira e eu me senti perdido. Mas isso não era de minha natureza, jamais.
Mal sabia eu, que naquela época eu estava presenciando a maior das revoluções que já enfrentei. O sentimento de apreço que tenho hoje por Floripa, foi criado nestes dias. De repente me dei conta que gostava desses momentos, que gostava de ver o mar todos os dias em meu horário de almoço, das pessoas que me cercavam e principalmente do curso que eu estava me dispondo a fazer.
Foi então que uma ideia mudou tudo, bastou uma troca de mensagens e boom, ali estava eu de novo iniciando mais uma aventura nesse ano novo. A mais certa de todas as minhas ideias, que me levou a conhecer dezenas de pessoas, a descobrir um potencial que eu jamais imaginava ter. Essa emoção de empreender tomou conta de mim.
O ano passou e os momentos foram crescendo, meus cenários mudando, alguns amigos passando e outros chegando. Foram relacionamentos certos e alguns errados. Festas e situações que me vi ficar bem acostumado e uma adaptação incrível a Florianópolis.
Pois então veio 2012 e com ela a confirmação de um dos meus sonhos. Fiquei muito contente, e lá estava eu a imaginar meu futuro novamente, a traçar metas, objetivos e meios. A criar um tudo de um nada.
Junto com isso veio a primeira discussão, o primeiro estresse. Algo que me levou a refletir e a escrever isso hoje. Mas ao qual sou muito grato. Sim, pois me fez pensar em tudo o que sempre quis na vida: viver.
Nunca quis me prender a ideias fixas, a algumas regras pre-estabelecidas da sociedade. Gosto de fazer diferente, fazer o que gosto, ser verdadeiro e tocar pessoas. Empreender não precisa ser apenas de uma maneira.
Foi lembrando dos momentos que passei observando o mar e aqueles barquinhos ao longe, que me dei conta que sempre tive muitos sonhos, muitas vontades. Nossa vida é curta, mas é o suficiente para realizarmos tudo o que queremos.
Quem se prende a velhos ideais não evolui. Parece besteira, mas talvez é por isso que tenho tantos amigos de idades muito diferentes da minha: não gosto de me fixar a um grupo restrito, a compartilhar dos mesmos ideais para sempre, a me engessar.
Estamos aí para aprender, crescer, nos divertir, ajudar o próximo, sermos amigos. Julgar não está nessa lista, sempre acreditei que se deve conhecer uma pessoa antes de tirar suas conclusões sobre ela. Isso foi uma coisa que me dispus a fazer nestes últimos tempos. E como foi bom, o quanto aprendi.
Por fim, me pego imaginando: minha vida é marcada por lembranças de momentos como este dos almoços no Biezza. Gosto de associar fases a imagens. Qual será a próxima que terei em mente? Quem fará parte dela? O que mais me aguarda nesse futuro? Qual música vai me despertar essas lembranças que ainda estão por vir?
Não sei, mas fico aguardando ansiosamente para saber...

sábado, 10 de dezembro de 2011

No Ceiling


Essa é a história de um pequeno garoto que sonhava com o mundo. Um garoto que deitava todas as noites, quentes ou frias, em sua varanda propositalmente descoberta e observava o céu.

Ele achava incrível como as estrelas brilhavam tanto e em como existiam em imensa quantidade, algo que só um local afastado da 'civilização', como onde ele morava, seria capaz de proporcionar.
E enquanto presenciava a beleza do infinito, em como era mágico contemplar o nada, filosofava sobre seus sonhos. Queria ir longe, conhecer todos os lugares possíveis, queria conhecer várias pessoas, ir alto, queria ver o mundo do topo.
Também queria ajudar o próximo, dar de comer na África, fazer o bem ao próximo, fazer sua cidade crescer e se desenvolver.
Este pequeno jovem cresceu e teve de partir. Foi jogado aos leões. Teve de se adaptar aos padrões da evolução e ao consumismo desenfreado dele. Porém não demorou para começar a questionar as coisas. Por quê assim? Por quê daquele jeito? Por que? Por que?
E os leões começaram a assustá-lo e mudar seus pensamentos. Talvez esta fosse a realidade, o mundo não era infinito como seu céu e ele tinha que aceitá-la. Seu infinito virou a caixa em que vivia, junto de diversas outras caixas, todas com suas vistas limitadas. Suas estrelas foram ofuscadas pela luz do século atual. Sua paz evoluiu para um dia, um sábado, que era o único momento que lhe proporcionava tempo para respirar.
Mas a caixa começou a sufocá-lo. A fraca cópia do céu começou a irritá-lo. E os leões já não mais representavam uma ameaça. De repente as correntes haviam sido soltas. Restava apenas descobrir o meio que seria justificado pelo seu fim. Fim este que curaria a doença suja que havia desenvolvido em seu tempo de reclusão.
Essa é uma história de um pequeno garoto que sonhava com o mundo. Mas também é a história de um prisioneiro que foi libertado de uma pena por um crime que não havia cometido, que revê a luz do sol, o brilho das estrelas e respira o ar puro do lado de fora pela primeira vez em muito tempo. É o conto de um pequeno garoto que cresceu e tornou-se um adulto. 
E este adulto? Ele veio ao mundo para fazer o que tem que ser feito.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Luiz tem uma boa vida

Luiz tem uma vida muito boa. Bom trabalho, boa universidade, boa educação, bom salário e bons relacionamentos.
Todos os dias ele acorda cedo, toma seu café da manhã, seu banho matinal, corre para pegar os mesmos dois ônibus, chega no trabalho e faz suas atividades durante todo o expediente. Em seguida, pega os mesmos dois ônibus para a faculdade, onde senta por quatro horas ouvindo pessoas que detém um grande conhecimento e o passam para ele através de aulas expositivas. Enquanto um burro fala, o outro baixa a cabeça.
Luiz então segue para sua academia, fazer seus exercícios diários. Não se pode deixar de fazer exercícios. Lá se vão mais duas horas de seu dia, como um hamster de estimação em sua gaiola.
Nem sempre ele consegue tempo para estudar, nem sempre ele consegue tempo para fazer as coisas que quer, mas sempre está em suas redes sociais, em contato direto com seus amigos, conversando, brincando, rindo, sem nunca vê-los pessoalmente.
Do amanhecer do dia até o apagar das luzes na hora de dormir, ele está rodeado de computadores e sistemas inteligentes como o seu celular. Agora todos podem saber onde ele está e o que ele está fazendo.
A vida de Luiz é muito boa, ele tem tempo para aproveitar várias festas, onde se distrai da rotina e faz algo de diferente. O pão está servido e o circo montado.
Seu dinheiro nem sempre dá para o mês todo, mas não importa, o crédito é fácil. O que importa é gastar, tudo para fugir da rotina.
Ele também realiza provas, onde tem que colocar exatamente a resposta que seu professor quer. Pensar? Para que? Filosofar sobre a origem das coisas? Só na aula de filosofia, mas mesmo assim não é o que seu professor pede em seus testes.
O jovem sabe que a matemática não é exata, mas sim uma invenção do homem para controlar coisas. Ele utiliza somente um método de cálculo, o ensinado por seus professores, apesar de saber que existem mil outros que eles não repassam. A resposta? Deve ser do jeito como foi ensinado, porque é o correto, o cientificamente correto.
Ah a ciência. Toda baseada em experimentações, tão... exata. Tão exata que não sabe explicar por que os homens são da forma como o são, pensantes, inteligentes. Que não sabe explicar por que usamos apenas 10% do cérebro e quais as outras capacidades dos 90% restantes.
Ele sabe que cada pessoa vê o mundo de acordo com suas características físicas. A mesma mesa pode ser mais fria ou mais quente para pessoas diferentes. A árvore mais verde ou mais escura, mais detalhada ou mais desfocada. Mas não, existe um correto para tudo, isso que ele aprende na sua universidade.
Mas é normal da sua sociedade. Organização de pessoas esta, que se baseia em regras, que se baseia em valores (?), em julgamentos, em preconceitos e impressões pessoais. Mas que funciona.
Luiz tem uma teoria. Ele acha os seres humanos incríveis, afinal conseguiram criar um mundo fictício e transformá-lo em realidade, realmente acreditar que ele existe, mas que quando veem alguém que está deslocado deste mundo, sabem como isolá-lo e evitar que contamine mais pessoas.
Mas é o mundo em que vive. Um mundo colorido, que se esconde atrás de um preto e branco de filmes antigos americanos. Um mundo onde você é livre, mas não consegue ir até a cidade mais próxima a sua apenas por livre e espontânea vontade. Um mundo surreal, que se diz real e que busca entretenimentos surreais para compensar as tristezas de uma rotina que se diz natural, mas que foi inventada pelos homens.
Luiz tem uma vida muito boa. Bom trabalho, boa universidade, boa educação, bom salário e bons relacionamentos. Boa vida essa que Luiz tem.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Não é bem assim.

Começa lá cedo, nos nove meses que ficamos dentro da barriga de nossa mãe. O que seremos? Menino, menina? Nos transformaremos em um grande médico, uma executiva de sucesso, um famoso chef de um restaurante bem conhecido, uma arquiteta de sucesso?
Então crescemos e as especulações continuam. Podemos ser o que quisermos, podemos ter o que quisermos, basta querer. Dizem que os sonhos são para ser conquistados. E realmente vemos isso, nos filmes, nos desenhos, nos livros. Já pensou o dia em que uma fada madrinha aparece para você e realiza seus sonhos? Ou quando você é selecionado para formar um time de elite que combate o mal e comanda robôs? Tenho certeza de que um dia isso vai acontecer.
Mas aí você cresce mais um pouco, e começam os primeiros sinais. "Não é bem assim, meu querido" dizia sua mãe. "Você tem que estudar para ter um bom emprego." justificava seu pai. E onde entram os sonhos? Quando poderei ser astronauta? E chef? "Não dá dinheiro isso" dizem outros.
Alguns desistem por aí já. Em sua plena juventude. Mas se você for como alguns, simplesmente ignora tudo isso.
Então você cresce mais e aos onze já escreveu um livro, e desenhou diversas histórias em quadrinhos de super heróis, além de arquitetar diversas casas. Seu sonho é ser um grande artista, escritor, arquiteto...
Então você escreve mais um livro, e ganha mais sonhos. Você quer viajar, quer conhecer outros lugares, quer estudar em faculdades de renome... Lá vem a vida e te retribui com risadas. "Você não tem capacidade, não do jeito que você é". E isso martela em sua cabeça, de novo, e mais uma vez. Só que sua memória é boa, e isso é um sonho. Uma vez te disseram que eles são possíveis. Você ignora a vida, e acredita em você.
Então as respostas saem e você consegue o que queria. Mas não do jeito que pensava, então talvez os outros tivessem razão, não é bem assim. A vida te deu um pontapé, mas você nunca aprende.
Nesse tempo de tristeza você criou novos sonhos, e vai atrás deles com afinco. "Que graça tem viver sem sonhos?" pensava você. Larga-se tudo, muda-se de endereço, e lá vem uma nova decepção. 
"Vocês nunca serão ninguém", dizia seu professor. "Eu não consigo fazer tudo de novo e mudar" dizem seus colegas. Mas não você. Você enfrenta tudo, sai de sua decepção e... Consegue de novo.
De repente tudo muda! Mais sonhos aparecem em seu horizonte. Lá vai você, iludido por imagens que surgem em sua mente, por ideais que mudariam um cenário, que melhorariam todo um ambiente, até que...
"Isso não pode.""Isso não vai dar certo.""Desista". Poxa, cade aquele papo que quem corre atrás de seus sonhos conseguem?
Estaca zero novamente.
E com ela a decepção, a tristeza, a depressão. Será que nada dá certo? Talvez os outros tenham razão.
Mas por que não aceitar este triste destino? Talvez a vida seja mesmo uma grande decepção, quando algo parece dar certo, ela vem e te tira de sua alegria, só para ver você sofrer mais um baque e ficar remoendo suas infelicidades.
Mas e Abraham Lincoln e sua história? Einstein e as pessoas que o chamavam de louco? E aqueles filmes antigos que você vê, que tanto incentivam esses tais sonhos? E aquele clipe, com aquela letra enigmática, feita para você, que surgiu justamente no momento em que você estava mais triste? De repente, tudo vai dar certo.
Lá vai você de novo, novos sonhos, novas conquistas. Agora você é um empreendedor, tudo dá certo. Mas não é somente isso que você quer agora, quer mais, sonha mais alto. Você quer melhorar a vida das pessoas, você quer fazer uma diferença.
Daí presencia a corrupção, a troca de favores, o mundo sujo em que vive. Lá vem a vadia da vida te barrar novamente.
Que mundo é esse no qual as coisas boas sofrem para acontecer? Até quando você tem que lutar para alcançar os seus objetivos, os seus sonhos? A que custo você consegue alcançá-lo? Será que realmente valem a pena?
"Pronto, vou desistir." pensa. Está tudo bem agora, sua consciência está limpa e você acredita que conseguirá seguir com essa vida de decepção, tirar o melhor dela e aguentar até o fim. Antes fosse assim.
Os sinais da vida, essa provocadora, esbarram na sua frente o tempo inteiro. É como se ela quisesse te decepcionar de novo, mas talvez dê certo agora. Será que se eu fizer dessa maneira vou conseguir? E daquela outra?
Planos, planos e mais planos. Aqui vamos nós novamente.
A vadia da vida, agora é sua amiga. Você não gosta de ter um futuro incerto, não faz parte de sua perspectiva nem de seu caráter. E você acredita que, apesar de todas as mudanças que sofreu, pode ser uma mistura de tudo isso. Sim, dará certo. O que não pode é voltar a ser como antes, isso tudo é uma evolução. Claro!
Você poderia ter desistido lá no início, quando seus pais disseram que não era como imaginava. Mas e daí? Monteiro Lobato não descreveu um computador em um de seus livros de 1920? Também diriam que era impossível, de volta àquele tempo.
As decepções vão te perseguir a vida toda, tendo sonhos (ou ilusões, como alguns chamam) ou sendo um acostumado com a vida sem objetivos. O que importa é o que você vai fazer delas.
Seja forte, seja persistente. Lute, com todas as suas forças. Teimosia deve ser o seu lema, e a inovação o seu motor. Faça diferente, ignore quando dizem que não.
O que separa os que conseguem, dos que não o fazem é o que você acredita. Já disseram ao Steve Jobs que não era possível. Mas ele não deu ouvidos.
Disseram que o Obama não ia ganhar as eleições. Ele ganhou.
Já te disseram que você não passaria no vestibular. Que você não conseguiria aquele trabalho, mas não tinha problemas. Que você não passaria naquela matéria, mas poderia refazer no semestre seguinte. Que não era possível fazer isso ou aquilo naquela cidade, que não tinha futuro. Que uma hora ou outra você ia perceber que não era como imaginava, e desistiria...
O impossível está na mente de quem o vê. Se ter sonhos é ser ignorante, já dizia o velho dito popular: A ignorância é uma benção. Chris Gardner que o diga.

domingo, 9 de outubro de 2011

Começa com uma decepção.

Começa com uma decepção. Sempre começa assim. Você fez uma grande besteira na noite anterior, daquelas que parecem não ter mais volta, e se arrepende até o último fio de cabelo. “Meu Deus, que raiva que estou de mim.” E todo o seu dia está para começar como uma grande tristeza.
Depois vem aquela conversa, com a vítima da besteira. E a tristeza só tende a aumentar. Você caminha pensativo pelas ruas, e caminha, caminha e caminha mais. Na sua cabeça está acontecendo uma tempestade e você não consegue mais vislumbrar a luz no fim do túnel. Como será a partir de agora? Por quê? Você está sozinho.
Então você ajuda aquela moça na rua, responde a conversa de uma outra senhora na escada, ajuda aquelas três moças a chegarem em casa, é educado com a jovenzinha que está perdida e faz gentilezas por todo o canto. Isso nunca acontece, normalmente. De repente o dia já não está tão chato.
Porém a tristeza continua, profunda. Encontra alguns amigos e eles falam do futuro, vocês organizam planos audaciosos e uma chama de esperança acende em seu peito. Mas é logo apagada por aquela lembrança, novamente.
Pega seu telefone e cancela seu compromisso. Quer ficar sozinho, triste, pensativo. Só que a noite toma rumos inesperados. Você sai de casa e pega a primeira condução para a casa de um grande amigo seu. Vocês planejam só um churrasquinho, pouca coisa, para distrair.
Então outro grande amigo aparece e vocês vão pegar o carro. E está montada a noitada ao melhor estilo de antigamente.
O churrasco ficou ótimo. Com direito a tomate voando na cara de uns e na camisa desse mesmo um. A TV estava chata, mas sempre há uma panicat solitária em um vídeo no youtube e umas boas músicas pra vocês darem risada.
Não suficiente, há sempre o violão e a prima que liga, com a amiga. Onde isso tudo leva? Até Jurerê Internacional, em plena madrugada, com muitas risadas, muito ACDC, um pouco de Cirlei e aquela lembrança da bandeirinha branca esvoaçando. Só cuidado com o guardinha de moto. E o burro da calça dobrada e pé descalço não pode esquecer de tirar a rede do mar. Só não ganha em burrice dos outros, que se coçam de mais burros ainda.
Por fim, tudo acaba onde começou, mas dessa vez com coisas bem mais interessantes pra assistir. O sono bate, ainda é meio cedo, mas você está satisfeito pelo dia. E aquela lembrança ruim, já não existe mais. Você ainda não esqueceu a pessoa, ainda se arrepende do que fez, porém tem mais confiança na vida e acredita que coisas muito boas podem acontecer.
Talvez tenha sido melhor assim, talvez não. É algo que não terá mais como descobrir, afinal você só sabe como algo irá terminar, vivendo aquilo. Fica o sentimento de amizade, algo que realmente irá progredir e que dará muito certo. Acima de tudo, fica a certeza de que sempre que você estiver na pior, a solução estará bem próxima de você, mesmo que outras pessoas precisem te mostrar isso. E essas outras pessoas, são seus melhores amigos e os melhores amigos do mundo.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Verão

Arno caminhava lentamente pela grama alta daquela residência, tão perto da sua, naquela vizinhança.
Ouvia-se um zunido distante de algumas televisões ligadas, quebrando o silêncio mórbido daquela noite de verão. Muitas janelas encontravam-se abertas, na tentativa de amenizar um pouco do calor que estava, apesar de não ser ainda o pico da temporada.
Calmamente ele se aproximou de uma parte da casa, na qual apenas uma luz brilhava pela janela do segundo andar. Buscou em seu bolso as pequenas pedrinhas que havia ali guardado, e as atirou com cuidado, para chamar a atenção da pessoa que estava naquele quarto.
A luz apagou-se, e um vulto aproximou-se do parapeito da janela, postando-se pra fora, e descendo pelo telhado disposto um pouco ao lado, quase sem emitir um ruído sequer.
Quando deu por si, aquela pessoa ja estava ao seu lado e ambos correram o mais rápido que conseguiam. Corriam para longe daquela casa, mas em sentido a um lugar do qual ambos tinham fixação. Conforme iam avançando, aquele som tão gostoso ia invadindo seu ouvidos e seus corações palpitavam cada vez mais rápido.
Aceleraram e já conseguiam vislumbrar aquela imensidão de água, batendo em leves ondas na areia fofa daquela região. Arno sorriu para si mesmo, estavam chegando lá.
Ao entrar na praia, os dois correram em direção ao mar, e ali se jogaram, ainda com suas roupas, despreocupados com qualquer impedimento que pudesse vir a existir, apenas sentindo-se refrescados com a temperatura amena daquela água.
Depois de um mergulho, foi sob a luz da lua que ele a observou, sua querida, com seus contornos retocados por aquele brilho que emanava de outro mundo. Sorriu para ela, e obteve uma retribuição.
Aproximaram-se e deixaram se beijar. Como era bom aquele momento...
De surpresa, o garoto a puxou para si, em seus braços e a levou para a areia, no canto mais próximo da praia. Deitou-a no chão e postou-se ao seu lado.
Os dois trocaram carinhos e beijos, e postaram-se a observar o céu estrelado, um pouco ofuscado pelo brilho da lua. Este foi um tempo que ficou para a memória dos dois, onde nada mais se conseguia pensar, nada havia com o que se preocupar. Tudo o que queriam, era curtir aquele verão, uma temporada que os fez viver sua juventude plenamente e levar dela o seu melhor.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Morte

Eu tenho uma fixação muito grande pela morte. Isso é algo que, para muitos, poderá ser novidade. Mas é algo que me fascina, algo que me faz pensar muito.
Todos crescemos sabendo que um dia chegará a hora de dizer adeus. Que de uma hora para outra deixaremos de habitar esse planeta, que não veremos mais nossos amigos, que simplesmente deixaremos de existir entre os vivos. Acredito que seja essa a responsável pela busca das pessoas por uma religião.
No fundo todos temos medo, ou pelo menos ansiedade, sobre o que vai acontecer. Eu confesso que já tive medo, mas hoje eu apenas sou curioso em relação a isso. Não é engraçado que, talvez, amanhã eu possa já não estar mais entre os vivos? É fantástico, na realidade.
Gosto de viver cada dia como se fosse o último, mas com seus limites respeitados. Porém, apesar de todos pensarmos que iremos morrer velhinhos, deitados numa cama, nunca saberemos o dia de amanhã.
Algumas coisas contribuíram muito para que eu pensasse assim. Não é novidade para ninguém, mas eu tive uma época bem prolongada de perdas, ou melhor, despedidas. Tive de dizer adeus a um grande amigo, a outro grande colega, ver dois grandes amigos meus tendo que se despedir de seus entes queridos, eu mesmo tive que me despedir de meu avô, alguém que eu muito admirava. Desde então venho observando cada pessoa e imaginando como seria a vida sem ela. É, caros amigos leitores, não é fácil.
É por isso que agradeço todas as noites por mais um dia de vida. Por isso que cada vez que embarco numa viagem para casa ou sinto algo anormal eu digo aos meus próximos que os amo. Aliás, minha família bem sabe que eu vivo falando isso.
Pensar nisso me faz dar mais valor a coisas que, antigamente, eu não pensava muito. Hoje você pode acabar seu dia discutindo com sua mãe, mas amanhã você pode acabar seu dia chorando por tê-la perdido. Nunca deixem assuntos inacabados, isso só piora a situação toda. Não quero deixar alguém com remorsos, não é de meu feitio.
Mas não só penso dos outros. Vocês já pararam para imaginar como seria se vocês mesmos partissem? Quantas pessoas chorariam por isso, quantas comemorariam. Pior ainda, a falta que você faria para seus pais, seus amigos mais próximos, toda sua família...!
Outro dia eu estava a conversar com minha mãe. Ela me contou sobre um acidente com adolescentes e de como seria o fim do mundo, para ela, ver a morte de um filho. Apenas questionei: 'E você acha que viver em prantos vai ajudar alguma coisa? Que eu gostaria de ver minha família entrar em depressão por minha causa?' Sou da opinião que se eu partir, parti. Tudo bem chorar, sentir falta. Isso é normal! Mas eu continuarei de outro lugar, e estarei olhando por aqueles que sofrem por mim, só espero que sigam com suas vidas, não é justo atrapalharem as suas por isso!
Pensamento sombrio, ou não, eu sempre imaginei que meu fim chegaria de três formas diferentes. A que eu mais penso é câncer. Não me levem a mal, sei como as pessoas que tem essa doença sofrem e os admiro. Não estou desejando. É só que é algo que sempre esteve em meus pensamentos, não tem motivo aparente pra achar isso.
A segunda maneira é em um acidente de carro. Reflexo de vários acontecimentos nos últimos 3 anos, quem é do meu círculo de amizades vai entender. Desse eu tenho medo, por isso que sou extremamente cuidadoso quando dirijo um veículo. Por fim, a terceira maneira é velhinho, deitado numa cama.
Eu já disse antes: a morte me fascina. Eu acredito que a vida não termina aqui, e que continuamos a evoluir e crescer moralmente depois dela. Isso é apenas um momento, uma agulha num palheiro, que é a eternidade. Não tenho medo da morte, pelo contrário, se ela chegar até mim significa que meu dever foi cumprido.
Acredito que tenho um potencial enorme para causar mudanças significativas a minha volta. Eu QUERO fazer isso, fazer algo pela minha cidade, meus amigos, pelo planeta! Quero ver as pessoas preservando mais, vivendo mais reguladamente, cuidando do bem precioso que são suas vidas. Uma vez um grande amigo me disse "Você é fera. E se você é assim, é reflexo de uma família muito boa". Acredito que da mesma forma que minha família me moldou, ainda há esperança para o mundo. Se tomarmos atitudes, podemos mudar o que parece impossível.
O que quero dizer é que, seja amanhã, semana que vem, daqui a 10 ou 20 anos, ou velhinho numa cama, eu quero partir com um sorriso no rosto, com a certeza de que alguma coisa eu tentei fazer para mudar os rumos daqueles que me cercam. Se fosse hoje, eu já teria esse sorriso, só espero que continue assim. E lembrem-se: eu amo vocês, todos.