Muitas horas de minha vida eu passei observando o céu que se estendia a frente de minha varanda.
Pensamentos e pensamentos, filosofias, sonhos, alegrias, encantos.
Estas horas me renderam muitas escolhas, muitas decisões que afetaram minha vida. Mas também me garantiram um aprendizado do qual levarei para sempre comigo.
Aprendi que por mais distantes que estejam as estrelas, se você olhar bem perceberá que nunca estão sozinhas. Muitas delas chegam a formar constelações.
Que por mais que luzes de fora tentem ofuscar seu encanto, elas sempre estão lá, e sempre aparecem para quem realmente as busca.
Todos sabemos que as estrelas nascem, vivem, colidem, morrem, mas nunca deixam de emanar seu brilho enquanto vivas. Brilho este que pode transcender sua vida, milhares de anos até.
Algumas estrelas caem e nos deixam muitas saudades, mas sabemos que ao cair deixam marcas iniguiláveis em nossa memória, que quando tocadas nos remetem a momentos de encantos como quando o instante em que fizemos o pedido ao vê-la cair. Apesar disso, sabemos que ela sempre estará em algum lugar perto, mesmo que nunca consigamos encontrá-la.
Penso que todas as estrelas almejam ser como a lua, que com seu brilho gigantesco toma, muitas vezes, a atenção. Porém a lua não seria nada sem as estrelas, e as estrelas perderiam a graça sem a lua. Ainda, muitas estrelas podem ser luas, depende do ponto de vista de quem as observa.
Algumas estrelas nos fazem pensar em como a vida é incrível, em como não sabemos absolutamente nada sobre o universo e em como são interessantes estes mistérios. Estas, por diversas vezes estão sempre juntas a outras, formando uma combinação mais incrível ainda, completando uma a outra e aumento a magia que circula pelo céu noturno.
Não somos capazes de contar, ou de prestar atenção a todas as estrelas ao mesmo tempo, mas algumas nos são mais queridas que outras, mas mesmo assim todas merecem a mesma admiração.
E estas estrelas inspiram amantes, histórias, contos, sonhos e idéias. Elas movem o mundo de quem as observa, mesmo que sejam poucos estes.
Por fim, aprendi que as estrelas são um reflexo nosso, ou vendo do ponto de vista delas, somos um reflexo delas. Mas o mais importante é que como muitos já diziam "existe muito mais entre o céu e a Terra do que podemos imaginar"...
terça-feira, 12 de outubro de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Sempre aprendi que devemos buscar a nossa felicidade. A natureza do ser humano é ser sociável, é fazer festa, ser feliz. Mas será isso mesmo?
Existem muitas pessoas verdadeiramente felizes? Ou alienados?
Não consigo buscar as respostas para minhas perguntas e fico horas me condenando. Críticas, elogios, nervosismos e situações fora do comum titubeiam nossos sentidos e deixam nossa cabeça, ao menos a minha, numa montanha russa emocional.
O que sentir? O que não sentir? O que é certo? E errado? O que é melhor? O que me falta? De onde esse vazio vem? POR QUE?
Uma vez eu li que somos escravos de nossa mente e que não há cárcere pior que este. Pensando sobre isso, cheguei à conclusão de que é uma das poucas verdades da vida. Sou muito feliz e grato por tudo que tenho. Poucos tem as mesmas chances que eu, mas sou prisioneiro de meus pensamento.
Queria silenciar minha mente, parar de questionar, parar de enjoar do que consigo, queria parar de pensar nestas coisas também. Mas a verdade... A verdade é que não consigo. Queria apenas viver...
Não estou reclamando do mundo, apenas de sua repercussão em meu ser. Como pode um elogio elevar tanto a minha auto-estima e uma palavra cruel desabar tanto meu consciente? Ou melhor, por que meu consciente gosta tanto de se degradar?
Sabe, às vezes penso que a natureza do homem é ser triste. Guerras, brigas, discussões, perdas de paciência... Não é a toa. Somos tão regrados, tão cercados de normas... Por que me preocupo com elas? Por que me preocupo tanto com os outros? Por que a opinião do próximo é mais importante do que a própria? Por que continuo pensando tanto? Por que? Por que? POR QUE?...
Nossa mente deveria vir com um botão de "OFF". Mas aí não seríamos mais humanos... E será que isso seria ruim? Será que a natureza não gostaria de parar de ser atacada?
Enquanto acabava o último parágrafo me deixei viajar novamente. Minha mente não para. O pior é que daqui a pouco irei dormir, e amanhã tudo será diferente. Novas preocupações, novos problemas, novas surpresas e novas alegrias. Já desisti de tentar entender essa máquina poderosa que é minha mente, mas continuo tentando desvendá-la toda vez que faço isso.
Eu estava bem comigo mesmo, mas me puseram à prova e falhei. Agora, não consigo controlar minha mente e ela pede por socorro. Às vezes gostaria que os seres humanos fossem ilhas isoladas e não que fizessem parte de arquipélagos. Às vezes gostaria é que, ao menos eu, fosse assim e que ninguém se importasse. A realidade é que eu é quem jamais pararia de me preocupar com essas pessoas, justamente por isso. Mente, por favor... OFF.
Existem muitas pessoas verdadeiramente felizes? Ou alienados?
Não consigo buscar as respostas para minhas perguntas e fico horas me condenando. Críticas, elogios, nervosismos e situações fora do comum titubeiam nossos sentidos e deixam nossa cabeça, ao menos a minha, numa montanha russa emocional.
O que sentir? O que não sentir? O que é certo? E errado? O que é melhor? O que me falta? De onde esse vazio vem? POR QUE?
Uma vez eu li que somos escravos de nossa mente e que não há cárcere pior que este. Pensando sobre isso, cheguei à conclusão de que é uma das poucas verdades da vida. Sou muito feliz e grato por tudo que tenho. Poucos tem as mesmas chances que eu, mas sou prisioneiro de meus pensamento.
Queria silenciar minha mente, parar de questionar, parar de enjoar do que consigo, queria parar de pensar nestas coisas também. Mas a verdade... A verdade é que não consigo. Queria apenas viver...
Não estou reclamando do mundo, apenas de sua repercussão em meu ser. Como pode um elogio elevar tanto a minha auto-estima e uma palavra cruel desabar tanto meu consciente? Ou melhor, por que meu consciente gosta tanto de se degradar?
Sabe, às vezes penso que a natureza do homem é ser triste. Guerras, brigas, discussões, perdas de paciência... Não é a toa. Somos tão regrados, tão cercados de normas... Por que me preocupo com elas? Por que me preocupo tanto com os outros? Por que a opinião do próximo é mais importante do que a própria? Por que continuo pensando tanto? Por que? Por que? POR QUE?...
Nossa mente deveria vir com um botão de "OFF". Mas aí não seríamos mais humanos... E será que isso seria ruim? Será que a natureza não gostaria de parar de ser atacada?
Enquanto acabava o último parágrafo me deixei viajar novamente. Minha mente não para. O pior é que daqui a pouco irei dormir, e amanhã tudo será diferente. Novas preocupações, novos problemas, novas surpresas e novas alegrias. Já desisti de tentar entender essa máquina poderosa que é minha mente, mas continuo tentando desvendá-la toda vez que faço isso.
Eu estava bem comigo mesmo, mas me puseram à prova e falhei. Agora, não consigo controlar minha mente e ela pede por socorro. Às vezes gostaria que os seres humanos fossem ilhas isoladas e não que fizessem parte de arquipélagos. Às vezes gostaria é que, ao menos eu, fosse assim e que ninguém se importasse. A realidade é que eu é quem jamais pararia de me preocupar com essas pessoas, justamente por isso. Mente, por favor... OFF.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Decadência de uma cultura
Hoje vou falar de um assunto um pouco diferente no meu blog. Não mais pensamentos vagos, nem nostalgias dos bons tempos. Hoje tomarei um posição um tanto quanto política.
Pois bem, eu estava acordado na madrugada, mudando os canais e tentando encontrar algum filme para me distrair. Foi aí que me deparei com "Picnic" (1955).
Esse filme se passa numa pequena cidade do interior norte-americano, onde o sustento dos moradores é uma grande corporação alimentícia, de grãos. Ainda, a trama começa no dia do trabalhador. Toda a cidade está de folga e um grande piquenique é organizado.
Nele as pessoas se encontram, participam de brincadeiras, ouvem a uma banda da cidade, os cidadãos inclusive cantam músicas calmas, que todos gostam. As crianças brincam, os adultos se encontram e conversam e todos passam um dia inteiro no parque, felizes e em comunhão.
Que sociedade incrível! Organizada, amiga. Um país ao qual eu gostaria de fazer parte. Pena que esse cenário mudou. Naqueles tempos não existia o consumo desenfreado que levou à quase inexistência dos recursos naturais daquele país, como o petróleo.
Ainda naquele tempo, a criminalidade era praticamente inexistente, pois todos se conheciam e as pessoas tinham vergonha na cara. Psicopatas, serial killers, personalidades alteradas e pessoas desequilibradas não eram o padrão daquela sociedade.
Não me levem a mal, não acho que todos são assim, mas conversando com americanos, e observando os acontecimentos e atitudes daquela nação, na qual o TER é mais importante que o SER, e comparando esta mesma nação com aquela na qual a comunidade representava a união e amizade de um povo, chego a conclusão de que algo muito errado aconteceu lá.
Já fui fã de carteirinha dos EUA, mas hoje eu penso duas vezes antes de falar dessa nação. Valorizo tudo por que esse país já passou, afinal de escória da Europa pra Maior Potência Mundial é um grande caminho a se tomar.
Mas veja o Brasil, veja Joaçaba. Em 1950 essa cidade era uma das mais prósperas do Brasil. Era uma comunidade pequena, amiga, com costumes parecidos com aqueles. Então veio o crescimento desenfreado e sem planejamento e hoje temos congestionamentos quase que o tempo inteiro e pessoas desdenhando as outras.
A maior reclamação das pessoas das cidades em volta, vindas de comunidades nas quais a união ainda faz parte do cotidiano, é que nesta cidade a população é muito esnobe, fria e se importa demais com coisas fúteis. Por mais que eu queira descordar, vejo que muita verdade há nisso. Mesmo meu amor pela minha cidade não diminuindo, sei que poderia melhorar. Eu quero muito bem ao meu país, e se aqui já houve consequências, pegue os grandes centros brasileiros. Pois bem.
O Brasil tem um potencial enorme, mas insiste em copiar atitudes de fora sem se questionar se elas realmente são o correto a se fazer. Os EUA cresceram a seu modo e para toda sua ação, hoje eles tem uma reação que não é uma das melhores. Eles são o país mais desenvolvido do planeta, mas só estruturalmente. O Brasil tem muito a se desenvolver, mas eu acredito na boa vontade de nosso povo, e sei que moralmente ainda temos certo grau considerável, mas ele insiste em diminuir cada vez mais.
Só que a resposta não está nas mãos dos políticos, mas sim nas mãos de cada um. Na manutenção de tradições, na passagem de valores de pais para filhos. Será que não veem que estamos caminhando na direção errada?
A poderosa cultura americana eu já considero decaída. Mas e a brasileira? Tem salvação ainda? Creio que sim. Mas é preciso atitude, e ela começa com cada um de nós.
Pois bem, eu estava acordado na madrugada, mudando os canais e tentando encontrar algum filme para me distrair. Foi aí que me deparei com "Picnic" (1955).
Esse filme se passa numa pequena cidade do interior norte-americano, onde o sustento dos moradores é uma grande corporação alimentícia, de grãos. Ainda, a trama começa no dia do trabalhador. Toda a cidade está de folga e um grande piquenique é organizado.
Nele as pessoas se encontram, participam de brincadeiras, ouvem a uma banda da cidade, os cidadãos inclusive cantam músicas calmas, que todos gostam. As crianças brincam, os adultos se encontram e conversam e todos passam um dia inteiro no parque, felizes e em comunhão.
Que sociedade incrível! Organizada, amiga. Um país ao qual eu gostaria de fazer parte. Pena que esse cenário mudou. Naqueles tempos não existia o consumo desenfreado que levou à quase inexistência dos recursos naturais daquele país, como o petróleo.
Ainda naquele tempo, a criminalidade era praticamente inexistente, pois todos se conheciam e as pessoas tinham vergonha na cara. Psicopatas, serial killers, personalidades alteradas e pessoas desequilibradas não eram o padrão daquela sociedade.
Não me levem a mal, não acho que todos são assim, mas conversando com americanos, e observando os acontecimentos e atitudes daquela nação, na qual o TER é mais importante que o SER, e comparando esta mesma nação com aquela na qual a comunidade representava a união e amizade de um povo, chego a conclusão de que algo muito errado aconteceu lá.
Já fui fã de carteirinha dos EUA, mas hoje eu penso duas vezes antes de falar dessa nação. Valorizo tudo por que esse país já passou, afinal de escória da Europa pra Maior Potência Mundial é um grande caminho a se tomar.
Mas veja o Brasil, veja Joaçaba. Em 1950 essa cidade era uma das mais prósperas do Brasil. Era uma comunidade pequena, amiga, com costumes parecidos com aqueles. Então veio o crescimento desenfreado e sem planejamento e hoje temos congestionamentos quase que o tempo inteiro e pessoas desdenhando as outras.
A maior reclamação das pessoas das cidades em volta, vindas de comunidades nas quais a união ainda faz parte do cotidiano, é que nesta cidade a população é muito esnobe, fria e se importa demais com coisas fúteis. Por mais que eu queira descordar, vejo que muita verdade há nisso. Mesmo meu amor pela minha cidade não diminuindo, sei que poderia melhorar. Eu quero muito bem ao meu país, e se aqui já houve consequências, pegue os grandes centros brasileiros. Pois bem.
O Brasil tem um potencial enorme, mas insiste em copiar atitudes de fora sem se questionar se elas realmente são o correto a se fazer. Os EUA cresceram a seu modo e para toda sua ação, hoje eles tem uma reação que não é uma das melhores. Eles são o país mais desenvolvido do planeta, mas só estruturalmente. O Brasil tem muito a se desenvolver, mas eu acredito na boa vontade de nosso povo, e sei que moralmente ainda temos certo grau considerável, mas ele insiste em diminuir cada vez mais.
Só que a resposta não está nas mãos dos políticos, mas sim nas mãos de cada um. Na manutenção de tradições, na passagem de valores de pais para filhos. Será que não veem que estamos caminhando na direção errada?
A poderosa cultura americana eu já considero decaída. Mas e a brasileira? Tem salvação ainda? Creio que sim. Mas é preciso atitude, e ela começa com cada um de nós.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Good old times...
Hoje eu me peguei em mais um momento nostalgia. Não consigo evitar! Às vezes acho que estou ficando velho muito de pressa. Sei que tenho apenas vinte anos de idade, mas já foi tanta coisa vivida!
Dessa vez estava relembrando não os filmes antigos, mas sim os desenhos que fizeram minha cabeça na infância. Ah, como é bom relembrar aqueles tempos.
Eram tempos em que as crianças brincavam de "ovo-choco", "esconde-esconde", jogavam "bola", se faziam de "power-rangers" e eram felizes. Graças a Deus a minha infância não envolveu "Colírios", nem MSN, e muito menos atitudes precoces, de crianças que se fazem de adolescentes.
Não, na minha idade eu aproveitei. Lembro de brincar com meus primos, andar a cavalo, bicicleta, subir em árvores, comer pão com nata e nescau no café da tarde da casa da Nona, e acima de tudo ver muita televisão nas horas vagas.
O primeiro desenho que eu lembro ver era Sailor Moon, que passava na TV Manchete (sim, eu sou da época da TV Manchete). Depois, meu canal favorito passou a ser o SBT. Ah, como eu era viciado em O Mundo Fantástico de Bob, Os Jetsons, os Flintstons, até mesmo Dragon Ball (a versão dele criança).
Então eu cresci, comecei a estudar de manha e meus olhos se voltaram pra um programa que animava minhas tardes depois das 15h: Band Kids.
El Hazard, Tenchi Muyo, Bucky, só para nomear alguns desses desenhos que realmente moldaram minha vida.
Eu sempre gostei de desenhar. Meus primeiros desenhos são casas e edifícios. Sim, também achava estranho eu gostar tanto disso na época, mas hoje entendo e chamo de vocação. Meus pais nunca souberam explicar da onde surgiu esse meu gosto por este tipo de desenhos. Ainda tenho os projetos guardados, haha.
Depois, com a avalanche de animes estimulando minha imaginação, eu comecei a desenhar mangás (e consegui certo grau de aperfeiçoamento, modéstia a parte). Aí parti para desenhos mais sérios. Pena que perdi quase todos.
Além do desenho, outra paixão começou a se desenvolver. Não tenho vergonha de assumir que graças ao Harry Potter (sim, você ouviu certo) e ao Senhor dos Anéis, livros estes que li aos meus dez anos de idade, eu comecei a criar um amor pela literatura, que partiu para a escrita. Até hoje tenho meu primeiro livro, cujo eu escrevia num caderninho a lápis, mas que, mal sabia eu, acabaria por se tornar um dom tão bom, que tanto me ajudou em momentos difíceis.
Também dedicava horas das minhas tardes e manhãs inventando histórias em quadrinhos. Certas vezes inventava histórias, outras me colocava numa história dentro de um anime, mas sempre desenvolvendo as habilidades.
Hoje, analisando tudo, sei que fiz ótimas escolhas. Em todos os desenhos, livros e histórias que li sempre valorizei o bem, acima de tudo. Não, não sou a versão não-jogadora do #KakaBadBoy, nem tem como chegar perto. O que eu quero dizer, é que tive um infância saudável, assim como a maioria das pessoas que viveram em minnha época.
Novamente pareço meu avô falando, mas afinal acho que é disso que se trata a vida. A geração mais velha sempre reclama da mais nova. Bom, não sei quem está certo, só que as saudades que eu tenhos daqueles tempos são indescritíveis. Se eu pudesse, voltava ainda hoje só para aproveitar um pouquinho mais dessa fase que, no meu caso, não foi desperdiçada.
O que eu queria é que as crianças de hoje voltassem a ser crianças. Queria ver meninas de 12 anos brincando de bonecas ainda, rapazes dessa mesma idade batendo competição de bicicleta e todos correndo para casa a fim de conseguir assistir a mais um episódio daquele anime favorito.
Senhores, nostalgia a parte, resumindo tudo isso que vos digo é que, por fim, sou muito grato por tudo que vivi, por quem me tornei, pelas pessoas que fizeram parte da minha vida e por tudo que me é possível fazer para retribuir esses vinte anos incríveis que toda a minha família me deu. Sem mais a declarar, uma boa noite a todos!
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Tão pouco tempo, mas tão essencial...
Para mim, relacionamentos nunca foram tão importantes. Sempre me chamei de desapegado. Em minha mente eu era forte, não choraria no enterro de ninguém, não sentiria saudades de ninguém e assim por diante. E assim sempre foi, até que a vida veio me dizer que eu estava enganado.
Me mudei, me distanciei de minha família e meus amigos. No início eu não sentia falta, estava muito bem no meu novo endereço, obrigado. Tolice! Bastou uma unica viagem de volta para eu ter minha primeira decepção. Minha felicidade continuou lá, enquanto eu tive que voltar a força para minha nova vida. Ah, como muitas coisas, as quais eu não dava valor antes, eu senti falta, quantas risadas com meus amigos que eu não pude dar...
Mas a vida é dura para quem é mole. Então tive de me acostumar. E assim foi, até perder tragicamente um grande amigo. Ali, minha teoria do desapego sofreu mais um terremoto.
E então uma outra grande pessoa se foi, em menos de dois meses. E lá se foi minha teoria mais fundo ainda.
Mas, ainda assim, eu acreditava ser desapegado. Desculpem-me minha humanidade em achar que eu era uma Ilha.
Não bastassem os laços com o meu querido velho oeste, eu acabei criando laços com pessoas daqui, também. Uma em especial.
Certa vez ela me mandou um depoimento no qual dizia: "Tão pouco tempo, mas tão essencial...". Acho que eu fiquei tão feliz na ocasião que nem me dei conta da grandeza do que ela dizia.
São raras as vezes em que encontramos pessoas que se encaixam tão facilmente em nossas vidas, que compartilham de certos gostos, certas habilidades, que nos fazem feliz apenas em ver sua janelinha do msn piscando ou, ainda, que fazem um longo e cansativo dia ser esquecido em 4 horas de risos e "danças". Tudo bem, talvez não sejam raros, mas sim únicos.
Tão pouco tempo... E de pensar que eu estaria assim por uma pessoa que eu só vi uma vez. Alguém que eu conheci por acaso, na maior coincidência do mundo.
Tão essencial... Ah, como isso é verdadeiro. Eu já sabia que gostava de passar meu tempo com ela, mas só hoje me dei conta que minhas estimativas de quanto eu gostava estavam erradas, afinal.
Agora, ela está sofrendo e eu também. Ela pelos seus motivos e eu, por não poder ajudar, por não poder conversar com ela, por não estar AO LADO dela.
E onde está minha teoria do desapego? Acho que não existe mais. Ou melhor, existe, afinal eu sou teimoso. Mas hoje sei que ela admite excessões. Ela (você) quem me ensinou isso.
Me ensinou também que pessoas daqui também são legais, que mostrar a língua pode ser uma coisa bem diferente de uma ofensa, que uma tristeza produz grandes feitos, que escrever é legal, apesar de tudo (e como você escreve bem!) e que tempo não significa nada.
Pois eu digo: somos sim ilhas, mas ilhas de um arquipélago. Acho que já ouvi isso num filme, mas agora entendo como é verdadeiro. Mas por se tratarmos de ilhas, às vezes, a ressaca nos afasta e é aí que vemos o quanto somos incompletos uns sem os outros.
Um carinho tão grande... Talvez você não tenha pensado no significado disso, mas te garanto que é maior do que qualquer coisa que você tenha imaginado e que me faz triste não poder conversar contigo, não ouvir notícias suas e que me deixa com um sentimento de culpa por algo que nem sei se fiz, porém que me corrói por dentro.
Quero ver você sorrindo de novo, quero ver você me mostrando a língua, brincando, feliz... E isso, como já disse, independente do que você precisar para sê-lo. Na realidade, eu simplesmente quero que esse vazio passe e que eu não sinta mais sua falta. Por favor, volta?
sábado, 26 de junho de 2010
O radio na cozinha
Era uma manhã como qualquer outra de domingo. Eu estava dormindo, quando de repente fui acordado por uma música estranha, não porque estava alto demais, simplesmente me acordou. Comecei a me concentrar para identificar aquela música: era italiana, tão típica como se lá eu estivesse. Aí que me recordei de onde estava. Aquelas paredes de madeira, aquela cama grande e macia, aquele ambiente tão amado. Eu estava na casa do "Nono Pedro" e era ele quem havia ligado o som, como sempre fazia todos os dias, desde que me dou por conta.
Animado, levantei e lá estava ele, com um sorriso a me receber, seus pés virados para seu fogão a lenha (costume dele), esquentando-os naquele dia frio de inverno das férias de julho. Sobre a mesa uma fartura típica de famílias descendentes de italianos. Eu me sentia muito feliz e seguro ali.
Há dois anos atrás teve um derrame e perdeu o movimento das pernas e de um braço. Mas isso não o deteve, pois ele continuou lutando (e acordando cedo aos domingos para ouvir suas músicas prediletas).
Daquela vez, me lembro como se fosse ontem, eu estava dormindo na sala, quando começou um alvoroço naquela humilde residência no meio do nada, no interior do interior. Fiquei preocupado, pensei que a hora tivesse chegado. Felizmente eu estava errado. Mas naquele domingo não houve rádio ligado...
Pois então continuamos nossas vidas, felizes pro tê-lo, mesmo que debilitado, ao nosso lado por mais tempo. O dia em que eu passei na UFSC ele estava lá e, feliz, me parabenizou por mais esta conquista. O Nando, como ele me chamava, estava indo embora, estudar na Federal.
E eu vim, e forçosamente tive de me distanciar. Agora não ia mais todo mês para lá e quando eu ía era apenas nos domingos. Já não ouvia mais aquele tão querido rádio nas manhãs de domingo.
Mas daí eu tinha outra felicidade. SEMPRE, independente da ocasião, que íamos para lá, meu querido avô sempre estava em sua varanda, nos esperando em sua cadeira de rodas, e quando eu chegava para cumprimentá-lo me puxava num abraço demorado para perto dele. Naquela época eu não sabia o quão importante isso seria para mim algum tempo depois.
Foi na última páscoa, primeiro grande feriado do ano, em que eu o vi pela última vez... Fomos "no Nono" e, como sempre, lá estava ele na varanda e com um grande abraço me recebeu. Foi um dia bom, a família reunida, o carinho de sempre, aquele sentimento de segurança e felicidade...
- Eu sonhei que meu amigo me dizia que depois desta páscoa eu iria morrer. - disse ele entre um momento de risos. Pobre coitado, foi xingado. "Não diga besteiras!" replicaram todos. Ah se soubéssemos...
Isso passou e ninguém deu importância. Eu muito refleti nisso, devido a minhas crenças, mas desacreditei, também.
Nas várias ligações que recebia de casa, às vezes recebia uma notícia como "O Nono não anda muito bem". Mas nunca pensei que ele REALMENTE não andava muito bem.
Em uma sexta como qualquer outra, às 17h de um dia normal, eu recebi uma ligação dizendo que "se eu quisesse" era para pegar um ônibus e ir para casa que meu avô não aguentaria nem aquela noite. Gelei.
Saí correndo da academia e corri desenfreadamente para a rodoviária e lá esperei das 19h até as 23:45 pelo único ônibus disponível. Quando pus meu pé dentro do veículo, foi quando meu celular tocou e recebi a notícia que tornaria aquele o fim de semana mais triste do mundo.
Pensei que eu não poderia ficar pior, mas quando entrei e vi meu "Noninho" dentro daquele caixão, meu mundo desabou. Foi um sábado triste, de muito choro, muitas lembranças e muito carinho. Eu não pude me despedir de meu avô, mas sei que ele ouve minhas orações constantes. Também sei que ele está num lugar muito melhor, ao lado do amigo dele e perto do Zago, outra grande pessoa que recentemente partiu. Mas o vazio fica e a saudade, enquanto vivo, jamais será sanada.
Ainda vou continuar relembrando episódios que me farão rir e chorar logo em seguida. Vivi apenas 20 anos ao lado dele, mas que foram suficientes para despertar um carinho sem par. Meu último avô vivo se foi, mas deixou sua marca em meu peito.
Nono Pedro, eu te amo. Sei que por muito tempo não ouvirei mais aquele seu radio ligado na cozinha de sua casa, mas me aguarde, porque um dia quem vai até aí te dar um abraço bem demorado, sou eu.
Em memória aos 70 anos de idade, 50 anos de casado, 20 anos ao meu lado, como meu avô, e 1 semana de falecimento de Pedro Martins Bugança.
Animado, levantei e lá estava ele, com um sorriso a me receber, seus pés virados para seu fogão a lenha (costume dele), esquentando-os naquele dia frio de inverno das férias de julho. Sobre a mesa uma fartura típica de famílias descendentes de italianos. Eu me sentia muito feliz e seguro ali.
Há dois anos atrás teve um derrame e perdeu o movimento das pernas e de um braço. Mas isso não o deteve, pois ele continuou lutando (e acordando cedo aos domingos para ouvir suas músicas prediletas).
Daquela vez, me lembro como se fosse ontem, eu estava dormindo na sala, quando começou um alvoroço naquela humilde residência no meio do nada, no interior do interior. Fiquei preocupado, pensei que a hora tivesse chegado. Felizmente eu estava errado. Mas naquele domingo não houve rádio ligado...
Pois então continuamos nossas vidas, felizes pro tê-lo, mesmo que debilitado, ao nosso lado por mais tempo. O dia em que eu passei na UFSC ele estava lá e, feliz, me parabenizou por mais esta conquista. O Nando, como ele me chamava, estava indo embora, estudar na Federal.
E eu vim, e forçosamente tive de me distanciar. Agora não ia mais todo mês para lá e quando eu ía era apenas nos domingos. Já não ouvia mais aquele tão querido rádio nas manhãs de domingo.
Mas daí eu tinha outra felicidade. SEMPRE, independente da ocasião, que íamos para lá, meu querido avô sempre estava em sua varanda, nos esperando em sua cadeira de rodas, e quando eu chegava para cumprimentá-lo me puxava num abraço demorado para perto dele. Naquela época eu não sabia o quão importante isso seria para mim algum tempo depois.
Foi na última páscoa, primeiro grande feriado do ano, em que eu o vi pela última vez... Fomos "no Nono" e, como sempre, lá estava ele na varanda e com um grande abraço me recebeu. Foi um dia bom, a família reunida, o carinho de sempre, aquele sentimento de segurança e felicidade...
- Eu sonhei que meu amigo me dizia que depois desta páscoa eu iria morrer. - disse ele entre um momento de risos. Pobre coitado, foi xingado. "Não diga besteiras!" replicaram todos. Ah se soubéssemos...
Isso passou e ninguém deu importância. Eu muito refleti nisso, devido a minhas crenças, mas desacreditei, também.
Nas várias ligações que recebia de casa, às vezes recebia uma notícia como "O Nono não anda muito bem". Mas nunca pensei que ele REALMENTE não andava muito bem.
Em uma sexta como qualquer outra, às 17h de um dia normal, eu recebi uma ligação dizendo que "se eu quisesse" era para pegar um ônibus e ir para casa que meu avô não aguentaria nem aquela noite. Gelei.
Saí correndo da academia e corri desenfreadamente para a rodoviária e lá esperei das 19h até as 23:45 pelo único ônibus disponível. Quando pus meu pé dentro do veículo, foi quando meu celular tocou e recebi a notícia que tornaria aquele o fim de semana mais triste do mundo.
Pensei que eu não poderia ficar pior, mas quando entrei e vi meu "Noninho" dentro daquele caixão, meu mundo desabou. Foi um sábado triste, de muito choro, muitas lembranças e muito carinho. Eu não pude me despedir de meu avô, mas sei que ele ouve minhas orações constantes. Também sei que ele está num lugar muito melhor, ao lado do amigo dele e perto do Zago, outra grande pessoa que recentemente partiu. Mas o vazio fica e a saudade, enquanto vivo, jamais será sanada.
Ainda vou continuar relembrando episódios que me farão rir e chorar logo em seguida. Vivi apenas 20 anos ao lado dele, mas que foram suficientes para despertar um carinho sem par. Meu último avô vivo se foi, mas deixou sua marca em meu peito.
Nono Pedro, eu te amo. Sei que por muito tempo não ouvirei mais aquele seu radio ligado na cozinha de sua casa, mas me aguarde, porque um dia quem vai até aí te dar um abraço bem demorado, sou eu.
Em memória aos 70 anos de idade, 50 anos de casado, 20 anos ao meu lado, como meu avô, e 1 semana de falecimento de Pedro Martins Bugança.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
O Passado, no Futuro
Esse feriado eu finalmente vim para casa, depois de longos dois meses longe da minha amada terrinha. Confesso que muito me alegrei, muito saí com meus amigos, muito tempo passei com meus pais, muito matei minhas saudades, mas o mais importante: muito refleti.
Minha casa está em reformas, e várias coisas foram modificadas. A sacada acima da garagem, onde várias tardes eu deitei, onde por diversas vezes sentei para observar as colinas distantes, a paisagem verde típica do local onde moro... Bom, onde antes havia aquela sacada, agora há um telhado.
A outra sacada, onde incontáveis noites eu deitei, ouvindo minhas músicas favoritas, observando o céu e o horizonte, beneficiado pelo fato dela não ser coberta, agora não é mais assim... Agora há quatro pilares obstruindo o horizonte e um pequeno coberto por sobre ela...
No terreno abaixo, pertencente a minha avó, onde inúmeras vezes eu brinquei, subi nas árvores, caí, ri e cresci subindo e descendo, agora está descuidado e coberto de mato. Confesso que pensei duas vezes antes de desbravar aquela terra tão conhecida por mim antigamente. Onde antes haviam cavalos e bovinos, agora há só grama alta e samambaias, salvo exceto por um grande trecho de plantação pelo qual eu caminhei e observei. Tudo estava diferente de como eu me lembrava, afinal há muito tempo, por ali, eu não andava.
Sei que parece meio tarde para lamentar pelas perdas, mas é quando perdemos nossas preciosidades que aprendemos a valorizá-las. Ao menos o terreno de minha avó será recuperado em breve. Infelizmente, por mais que eu tenha discutido com meus pais, a cobertura da sacada permanecerá.
Mas o que eu mais gostei dessa viagem foi o modo como eu percebo as coisas. Só agora eu vejo o quanto eu sou feliz e agraciado por tudo que me cercava, de como tudo convergiu para me tornar a pessoa que eu sou e mesmo a história de meus antepassados remonta a momentos perfeitos como este em que estou vivendo.
Algo que venho reparando é que o Passado sempre vem ao meu encontro, me corrigindo quando desvio de meu caminho e me auxiliando a progredir. É com o que aprendi com ele que construo meu futuro.
Cresci num mundo a parte, um mundo ideal. Sei que é difícil, ainda mais quando observo de fora, mas as mudanças estão aí. Na realidade elas nunca deixaram de acontecer, é que agora me parece mais difícil de aceitá-las. Talvez seja algo que vem com a idade, eu não sei. Tudo que sei é que esse fim de semana me fez ver mais ainda o amor que sinto por este lugar e, muito mais, por TODA a minha família.
E você? Já parou pra pensar em tudo que aprendeu no lugar que cresceu e tudo que sua família veio a te acrescentar?
Minha casa está em reformas, e várias coisas foram modificadas. A sacada acima da garagem, onde várias tardes eu deitei, onde por diversas vezes sentei para observar as colinas distantes, a paisagem verde típica do local onde moro... Bom, onde antes havia aquela sacada, agora há um telhado.
A outra sacada, onde incontáveis noites eu deitei, ouvindo minhas músicas favoritas, observando o céu e o horizonte, beneficiado pelo fato dela não ser coberta, agora não é mais assim... Agora há quatro pilares obstruindo o horizonte e um pequeno coberto por sobre ela...
No terreno abaixo, pertencente a minha avó, onde inúmeras vezes eu brinquei, subi nas árvores, caí, ri e cresci subindo e descendo, agora está descuidado e coberto de mato. Confesso que pensei duas vezes antes de desbravar aquela terra tão conhecida por mim antigamente. Onde antes haviam cavalos e bovinos, agora há só grama alta e samambaias, salvo exceto por um grande trecho de plantação pelo qual eu caminhei e observei. Tudo estava diferente de como eu me lembrava, afinal há muito tempo, por ali, eu não andava.
Sei que parece meio tarde para lamentar pelas perdas, mas é quando perdemos nossas preciosidades que aprendemos a valorizá-las. Ao menos o terreno de minha avó será recuperado em breve. Infelizmente, por mais que eu tenha discutido com meus pais, a cobertura da sacada permanecerá.
Mas o que eu mais gostei dessa viagem foi o modo como eu percebo as coisas. Só agora eu vejo o quanto eu sou feliz e agraciado por tudo que me cercava, de como tudo convergiu para me tornar a pessoa que eu sou e mesmo a história de meus antepassados remonta a momentos perfeitos como este em que estou vivendo.
Algo que venho reparando é que o Passado sempre vem ao meu encontro, me corrigindo quando desvio de meu caminho e me auxiliando a progredir. É com o que aprendi com ele que construo meu futuro.
Cresci num mundo a parte, um mundo ideal. Sei que é difícil, ainda mais quando observo de fora, mas as mudanças estão aí. Na realidade elas nunca deixaram de acontecer, é que agora me parece mais difícil de aceitá-las. Talvez seja algo que vem com a idade, eu não sei. Tudo que sei é que esse fim de semana me fez ver mais ainda o amor que sinto por este lugar e, muito mais, por TODA a minha família.
E você? Já parou pra pensar em tudo que aprendeu no lugar que cresceu e tudo que sua família veio a te acrescentar?
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